Mães e Pais na 1ª Pessoa

O peso da rotina

A caminho de casa, tarde demais para a hora de deitar das crianças [já de pijama e jantados] regressamos de casa dos avós maternos. Diz a Carolina:

” C – Mamã qué papa!

M – Oh filha papa!? Então mas tu jantaste em casa da avó…

C – Não mamã qué papa na caja da mamã!

M – Carolina tu acabaste agora de comer! Comeste canja, comeste banana… – sou interrompida com determinação

C – Não jantou! Não jantou! Eu qué papa na caja da mamã!!

M – Está bem filha! Então e o que é tu queres comer?

C – ovinhos… – E sorri com um ar guloso!”

Não obstante a óbvia gula que a minha filha tem por ovos, fiquei a pensar, que de facto, a rotina tem um peso gigante nas nossas vidas. Ontem, porque tivemos que ir terminar um trabalho à ultima hora, foi o meu irmão que os foi buscar à creche, foram para casa dos meus pais, tomaram banho, jantaram, e quando nós chegámos andavam de pijama e pantufas a brincar com o Tio Gabriel. Nós chegámos, comemos um prato de canja, demos dois dedos de conversa e viémos embora. Mas, como  a rotina diz que antes de ir para cama jantam, ao chegar a casa, este peso falou mais alto e pediram para jantar [outra vez!]. Ainda pensei que já prestes a dormir nos pedissem leitinho, mas nem isso, foi mesmo só o condicionalismo da rotina do dia a dia. Chegaram a casa, deitaram-se e dormiram.

Tenho pena que as melhores alturas da nossa vida, aquelas em que os filhos precisam de nós, em que nos querem bem dispostos e disponíveis para eles, sejam hipotecadas em horários, compromissos, trabalho seja a que horas for. Tenho pena de viver numa sociedade que prega valores familiares, mas nada faz para os preservar, para os incentivar, para os promover. É este o mundo que queremos deixar para os nossos filhos?
Blog | Definitivamente São Dois