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Preparação para o parto

17 de Outubro de 2014

O Parto Ativo

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O conceito de Parto Ativo foi desenvolvido pela educadora perinatal Janet Balaskas, na Inglaterra. Parto Ativo significa que a mulher é que faz o seu bebê nascer. Não é o médico que faz o parto. Não é a parteira que faz o parto. É a mulher, o seu corpo, a sua mente e a sua alma. Claro que não existe Parto Ativo sem uma equipa que aceite diminuir a sua participação em favor do protagonismo da gestante. Portanto para um parto verdadeiramente ativo é necessário uma mulher ativa, um acompanhante (o pai do bébé ou outro por ela escolhido), um bébé e alguém que fique ao lado apenas verificando se tudo está bem, sem intervir no processo natural do nascimento.

O corpo da mulher já vem preparado para o parto, e até mesmo mulheres em coma conseguem ter partos normais. Sedentárias, ginastas, ativas, magras, gordas, altas ou magras, todas as mulheres têm a capacidade inata de permitir que o bébé viva, se desenvolva e nasça através de seu corpo. No entanto o parto é um processo dinâmico, no qual o bébé faz uma série de movimentos através da pelve, até que possa sair para a luz. Ele desce, insinua o seu crânio pela bacia pélvica, dobra o pescoço, gira, colabora. Enquanto isso a mãe move-se, anda, muda de posição, inclina-se apoiada pelo companheiro, acocora-se, deita-se. Como quando tentamos tirar um anel justo do dedo, só o movimento é que permite que um deslize em redor do outro.

Se permitimos que a mulher adote todas as posições que lhe parecem confortáveis, se possibilitamos a liberdade de movimento e ações, se o ambiente do parto for propício para essa liberdade, a mãe e o bébé encontrarão a fórmula para a travessia que eles têm que fazer. Por isso é fundamental que no ambiente do parto sejam presentes os elementos fundamentais para um parto ativo:

– Privacidade: se a mulher não tiver privacidade fica tolhida na sua liberdade e deixa de se movimentar de acordo com a sua vontade.

– Opções à cama: deitar é em geral a última coisa que uma mulher quer fazer em trabalho de parto, pelo que precisa ter opções como a bola suíça, o cavalinho, a banqueta de parto, almofadas, cadeira, poltrona, etc…

– Equipa: é importante que as mulheres sejam acompanhadas por pessoas que estejam familiarizadas com o conceito de parto ativo, como parteiras, enfermeiras obstetras e médicos obstetras motivados e seguros em relação ao parto natural.

– Recursos não farmacológicos para a dor do parto: sendo o parto um processo lento e muitas vezes doloroso (especialmente no pico das contrações), é fundamental que a mulher possa ter à mão os recursos para lidar com essa dor, como chuveiro, banheira, bolsa de água quente, chás e o que mais for possível dentro do contexto.

– Prioridade para o parto natural: para que a mulher se sinta a controlar a situação, precisa de vivenciar o processo da forma como a natureza propôs, ou seja, sem o artifício do jejum, da ruptura artificial da bolsa das águas, do uso de soro com hormonas (ocitocina), forças dirigidas, etc…

Dentro dessa filosofia de atenção ao parto, os procedimentos médicos são destinados apenas às situações especiais, que correspondem a uma pequena percentagem de mulheres saudáveis. O parto sempre será um processo normal e natural, para o qual as mulheres continuam estando preparadas, independentemente de não mais lavarem roupa acocoradas à beira do rio. Basta que deixemos as grávidas em paz e que lhes ofereçamos o mínimo necessário para o conforto, e elas saberão o que fazer.

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Cristina Jorge Healthy Mommy

Doutoranda em exercício pré e pós parto