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Educação Financeira

6 de Junho de 2013

O papel dos avós na educação financeira das crianças

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Os avós têm um profundo carinho pelos netos e é-lhes muito difícil dizer que não a tudo aquilo que estes pedem. No entanto, essa incapacidade ao acontecer de forma sucessiva pode colocar em causa os ensinamentos que os pais transmitem aos filhos, nomeadamente no controlo das exigências consumistas dos mais pequenos. Indubitavelmente que os avós não o fazem por mal, antes pelo contrário, a incapacidade de dizer que não é uma forma plena e pura de amor.

A forma como a maioria dos avós se relaciona com os seus netos é claramente especial e, por vezes, é difícil percepcionar como foi possível que alguns dos avós que hoje não conseguem negar o quer que seja aos netos, quando assumiam o papel de pais eram extremamente rígidos e pouco tolerantes. Talvez os desafios da vida e a maturidade adquirida, tenham permitido relativizar as coisas e, com o tempo, os avós tendem a ser mais tolerantes mesmo quando antes, no papel de pais, assumiam uma forma de estar bastante díspar.
Actualmente em Portugal existem avós com uma formação escolar e académica ampla e/ou que assumiram cargos profissionais ao longo da vida que lhes permitiu desenvolver conhecimentos financeiros. Por outro lado, a maior facilidade de acesso aos meios de comunicação social permitiu adquirir conhecimentos específicos ao nível das questões financeiras, da poupança, dos bancos, etc. Existe ainda uma fonte de conhecimento bastante válida, como diria o velho do Restelo nos Lusíadas, “um saber de experiência feito” de quem já geriu muitos anos um orçamento familiar, por vezes em situações de crise financeira (recordo o pós 25 de Abril, as diversas intervenções do FMI, etc). No entanto, existem igualmente avós em que a formação base foi bastante reduzida e que desenvolveram actividades profissionais muito distantes das questões financeiras, logo este grupo detém reduzidos conhecimentos ao nível dos aspectos financeiros.
De forma a equilibrar os objectivos e comportamentos dos vários intervenientes na educação das crianças, sugere-se que os pais e os avós definam regras que ambos devam respeitar. Se, por um lado, os pais proíbem ou castigam, mas paralelamente os avós cedem, a educação poderá sair bastante fragilizada. As palavras de ordem devem ser: “coordenação” e “respeito” (pelo que foi acordado).
Todos os princípios salientados ao longo do manual devem ser considerados pelos avós, nomeadamente evitar ceder a tentação de dizer sistematicamente que sim a todos os desejos das crianças. A promoção do esforço deve ser algo a que os avós devem estar atentos, sendo uma forma de resistirem ao primeiro pedido de consumo expresso pelos mais pequenos. Os avós devem ainda dedicar uma atenção especial a promoção da poupança. Desenvolver junto das crianças uma preocupação regular em poupar e em combater o desperdício, é algo que requer tempo, dedicação e muito esforço. Neste ponto, é primordial destacar que os avós tendem a ter mais tempo disponível que os pais, como tal podem assumir um papel preponderante na educação dos netos, nomeadamente na vertente cívica (valores) e de responsabilidade financeira.
Como alguns netos passam bastante tempo com os avós, acabam por realizar juntos diversas actividades do dia-a-dia, como pagar a renda da casa, ir ao banco, ir ao supermercado, etc. Ora, é mais que evidente que tendo os avós tempo e levando frequentemente as in loco ao mundo real, podem desenvolver estratégias específicas para formarem os netos nos diversos cenários descritos. Por exemplo, na ida às compras, os avós podem reforçar a necessidade em se elaborar uma lista de compras, a importância de cingir as compras ao que foi definido como prioritário, comparação de preços, conferir o troco, distinguir conceitos (barato e caro; necessidade e desejo), etc.

Extraído do livro “Manual de Educação Financeira Crianças e Adolescentes” (Escolar Editora) de Ricardo Ferreira

Dr. Ricardo Ferreira

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