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Blogosfera

20 de Abril de 2015

O MEU HOMEM PEQUENINO por Rita Ferro Rodrigues

rita ferro rodrigues

Esta noite o meu homem pequenino andou em duras  batalhas, enfrentou dragões e criaturas estranhas, combateu numa chuva de vento e meteoritos.

Esta noite o meu homem pequenino não teve sossego, era vê-lo aos pontapés ao edredom, a esbracejar no vazio, de olhos fechados e cabelo transpirado, expressão de coragem e só um bocadinho de medo.

A mãe esteve a observá-lo e a tentar velar-lhe o sono desaustinado. A mãe deu-lhe beijos na testa e agarrou-lhe a mãozinha gordinha.

Cantou-lhe com voz doce uma canção que falava de algodão doce e amigos, coisas bonitas para afastar a guerra travada na fronha.

A mãe não dormiu, porque é assim que as mães não dormem.

A mãe não se importou. Lá fora a chuva caía impiedosa e de quando em quando um trovão abanava a rua, a casa, a cama e fazia-a sentir viva, mais viva que nunca, uma leoa alerta e protectora, vigilante no silêncio da noite.

Há um momento em que o homem pequenino abre os olhos. Depara com os olhos da mãe abertos a olhar para ele, cheios de amor. O homem pequenino aconchega a chucha na boquinha, respira fundo e volta a dormir, desta vez sereno. Resgatado do campo de batalha, o soldado miniatura encontrou, na pausa para a água, o helicóptero que o levaria para a paz.

Esse é o momento.

O momento em que a trovoada deixa de cair porque a natureza se rende à sua força mais poderosa: o amor de uma mãe.

Fonte: Maria Capaz