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Psicologia

18 de Julho de 2016

O meu filho quer sair à noite!

A partir da adolescência os jovens passam mais tempo com os amigos e em determinada altura querem sair à noite. Estamos no verão e em período de férias escolares e as oportunidades e convites para as saídas à noite multiplicam-se e trazem consigo algumas preocupações e dúvidas para os pais:

“Será que tem idade para sair?”
“E se lhe acontece alguma coisa? Há tantos perigos na noite…”
“Se o deixo sair hoje, depois vai estar constantemente a pedir…”
“Peço para voltar para casa às 23h, 00h, 2h?!”
Bem, estas preocupações são legítimas, principalmente quando os filhos estão a dar os primeiros passos nestas andanças. Mas, deixar-se dominar por estes receios e negar estas experiências aos filhos também não será a melhor opção.

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Uma comunicação eficaz, negociação, regras e confiança serão bons aliados para que corra tudo bem.
É extremamente importante que os pais estabeleçam um conjunto de regras e limites antecipadamente juntamente com o seu filho, nomeadamente acerca dos horários, das companhias, das boleias, bem como as consequências pelo incumprimento do combinado.
As regras devem ser simples, concretas, específicas e positivas, de forma a evitar mal entendidos. Por exemplo: ao invés de “tens de vir para casa cedo” diga “deves estar em casa à 1h”, ou “não podes vir de boleia com qualquer pessoa” diga “tens de vir de boleia com o pai do João”.
As regras devem ser razoáveis, ou seja, pedir ao seu filho para regressar a casa às 23h quando a festa começa às 22h é uma missão impossível para qualquer adolescente. Por isso, converse com o seu filho e ajustem os horários a cumprir de acordo com o tipo de evento (uma festa de anos, uma ida ao cinema, ida a um concerto, ou à discoteca) e o horário que ficar definido deve ser cumprido.
É importante que os pais tenham conhecimento de quem vai estar com o seu filho e ter o contacto telefónico do melhor amigo e dos pais deste, para o caso de haver algum imprevisto. Explique ao seu filho que não se trata de uma questão de controlo, mas de segurança. Este conhecimento das companhias também poderá facilitar as boleias, pois assim os pais poderão combinar alternadamente quem leva e vai buscar os filhos e ficam mais descansados.
A confiança dos pais é essencial, por isso deve ficar bem claro para o seu filho que o incumprimento das regras e mentiras pode abalar este sentimento, e consequentemente, a postura flexível dos pais para as saídas seguintes. Neste sentido, as consequências devem ser justas e proporcionais e possíveis de colocar em prática. Não caia no erro de dizer “nunca mais te deixo sair!” ou não ser consistente e firme.
Não ceda a pressões como “mas os pais da Maria deixam-na sair até às 2h…”, no sentido em que cada família é diferente e cada adolescente tem as suas caraterísticas próprias de personalidade, maturidade, responsabilidade e capacidade de lidar com problemas.
À medida que o seu filho vai crescendo e demonstrando ser mais responsável, a frequência de saídas pode ir aumentando gradualmente e as negociações poderão tornar-se mais flexíveis.

Raquel Carvalho
Psicóloga Clínica
Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

 

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