Atualidade

4 de Fevereiro de 2015

O meu filho fala mal

Muitas crianças não falam como os meninos da mesma idade. Descobrir as causas é uma das missões da consulta do desenvolvimento.

Um dos motivos mais frequentes nas consultas de desenvolvimento é a criança que fala mal. Vocabulário limitado por dificuldades na aquisição de novas palavras, erros no uso das formas verbais, dificuldades em recordar palavras ou construir frases de complexidade adequada ao desenvolvimento e uma evolução linguística lenta. Estas crianças não falam como os meninos da mesma idade.

Nestas situações há quatro hipóteses:

1 – um problema auditivo;

2 – privação de estimulação linguística;

3 – problema neuromotor (por exemplo, paralisia cerebral);

4 – a criança apresenta uma perturbação do desenvolvimento.

Neste último caso, só há três possibilidades: perturbação específica da linguagem; perturbação do espectro do autismo e défice cognitivo. Na perturbação específica da linguagem, só esta fica atingida. Se conseguirmos detetar, para além dos problemas da fala, outras manifestações incoerentes com o nível de desenvolvimento esperado, como isolamento social, alterações comportamentais significativas, descoordenação motora, dificuldades na realização de puzzles, desconhecimento de cores, obsessão com determinados objetos ou assuntos, o diagnóstico de perturbação específica da linguagem não pode ser formulado.

Nas perturbações do espectro do autismo (como a Síndrome de Asperger ou formas atípicas das perturbações do espectro do autismo, onde a linguagem poderá ser formalmente convencional), vamos encontrar outros sintomas característicos: desinteresse em brincar com as outras crianças, desvio do olhar, fixação intensa, obsessiva, (dinossáurios, marcas de carros, …) ou objetos (molas da roupa, …), gestos repetitivos. Se não houver uma perturbação cognitiva significativa, poderemos esperar um bom prognóstico.

O défice cognitivo (ou atraso mental) é a situação mais grave. Todas as grandes funções do desenvolvimento estão comprometidas. Embora dependendo dos aspetos quantitativos e qualitativos do próprio défice cognitivo e da situação que o origina (há mais de mil causas!), estas crianças andam tarde, fazem gracinhas mais tarde, falam tarde, têm dificuldades em fazer puzzles ou construções, têm problemas em perceber as mensagens, em suma em aprender como os outros meninos.

Fonte | Pais&Filhos