Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

11 de Janeiro de 2016

O meu filho é um pré-adolescente. E agora?

Tem reparado que o seu filho está mais crescido? Prefere outras brincadeiras, desenvolveu novos interesses, as atividades em família começam a ser dispensadas, os amigos vão ganhando cada vez maior tempo de antena. Um pré-adolescente age como se a orientação dos adultos não fosse bem-vinda ou necessária. Poderá ter alterações de humor e responder de forma mais esquiva. Não estranhe que feche a porta do quarto com mais frequência, como forma de definir o seu espaço e reclamar a sua privacidade. Por difícil que possa ser encarar estas atitudes, tente não levá-las a peito, pois o seu filhote gosta de si da mesma forma (embora o demonstre menos vezes).

Teenage girl rolling her eyes in front of angry parents

Teenage girl rolling her eyes in front of angry parents

Nesta fase manter-se ligado ao seu filho pode parecer uma tarefa desafiante e investir numa comunicação eficaz, ter momentos de qualidade em família e gerir as expectativas do que será a adolescência são passos essenciais.

Todas as famílias necessitam de se reajustar, sendo necessário que os pais encarem o filho de outra forma, percebendo que as suas necessidades são agora diferentes, o que por sua vez, implicará alterações na dinâmica familiar. O desafio estará em conseguir um equilíbrio, que permita oportunidades de crescente autonomia, independência e responsabilidade, mas mantendo a ligação emocional, sentimento de segurança e apoio na família. O que pode fazer para reforçar a vossa vinculação?

Partilhem tempo juntos de forma a acompanhar as suas atividades e gostos. Quantos pais às vezes ficam com a sensação que já não conhecem os filhos à medida que entram na adolescência? É importante que manifeste interesse pelas atividades que ele faz, mesmo que não perceba nada do assunto. Quem sabe se a série favorita do seu filho não poderá ser cativante também para si, e constituir uma oportunidade de desfrutarem da companhia um do outro ao assisti-la?

Não desista de o convidar para fazer atividades consigo (passear o cão, ver um filme na TV, correr, passear, etc.), mesmo que ouça “nãos” vezes sem conta. Um dia o seu filho poderá precisar de partilhar algo ou até desabafar, e não ter momentos rotineiros em comum consigo, poderá impedir esta tomada de iniciativa e limitar oportunidades.

 

Mantenha as refeições em família, nem que para isso seja necessário adaptar horários de vários membros familiares. Refeições partilhadas são momentos preciosos, como tal não devem ser perturbados por terceiros, sendo que os telemóveis devem estar longe da mesa de jantar. Compartilhar atividades, por exemplo, todos se envolverem na preparação da refeição, ajuda a construir proximidade e ligação através de trabalho de equipa.

As datas festivas costumam ser momentos memoráveis, porém algumas famílias apenas têm 3 ou 4 datas por ano. Tente criar comemorações noutras ocasiões, por exemplo, a competição de natação do filho, ou a peça de teatro da escola, ou a entrega de um relatório muito importante do emprego do pai. Assim, quebram rotinas, envolvem-se nas atividades e conquistas de cada um, fortalecendo laços.

Embora o seu filho possa estar mais evitante, a importância de demonstrar carinho e amor continua a ser de extrema importância para que se sinta amado. Mas atenção, não deverá fazê-lo em qualquer momento ou local, pois ele poderá até mostrar embaraço em público. Um sorriso ou uma festa na cabeça podem servir de gesto de despedida em frente aos amigos.

Ao deitar, o seu filho pode já nem pedir o beijinho de boa noite nem que o aconchegue aos lençóis, mas não dispense a partilha de um carinho e nunca se deitem chateados um com o outro.

 

Os pré-adolescentes costumam sentir-se incompreendidos e sob exigentes e críticos olhares. Costumam queixar-se que os pais apenas reparam no comportamento desadequado. Reconheça as qualidades e esforços do seu filho, esteja atento ao que ele faz adequadamente e elogie-o!

A forma como comunicam é determinante na resolução de problemas. Frases acusatórias, julgamentos precipitados, imposições sem negociação, focar situações e erros do passado, fazer generalizações e dramatizações são totalmente desaconselhadas e contribuem para uma espiral negativa de interações.

Lembre-se que o seu filho está a passar por múltiplas transformações (hormonais, físicas, emocionais, sociais) e que poderá ter dificuldades em lidar com tudo isso. Tente ouvi-lo atentamente, sem o julgar, mostre compreensão, confiança, empatia e abertura à negociação com responsabilidades. São atitudes essenciais para que os laços familiares se mantenham fortes e que o seu filho continue a ver os pais como o seu porto seguro.

*um artigo exclusivo para o Barrigas de Amor®

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil

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