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Psicologia Clinica

11 de Janeiro de 2016

O Meu Filho e o Seu Objeto de Transição

Quando falamos da primeira infância, sobretudo nos primeiros anos de vida, o bebé necessita de muitos cuidados da mãe. A atenção e cuidados maternos que esta fase de desenvolvimento exige, contribuem para que o bebé considere que ele e a mãe são um só, um ser único e indissociável.

Contudo, há medida que os meses vão passando, o bebé vai notando que é um ser distinto da mãe e que, para além disso, ela poderá não estar sempre presente, segundo a segundo, para satisfazer as suas necessidades. É precisamente nesta fase de transição que o bebé acaba por procurar um “objeto de estimação” que desempenha uma função tranquilizadora, securizante, especialmente na hora de dormir. Estes designam-se por objetos de transição e podem ser elementos como um ursinho de peluche, um cobertor, uma fralda ou uma boneca e são benéficos para o desenvolvimento emocional da criança.

objecto transição

Por serem tão comuns na infância, deixo-lhe algumas dicas sobre eles e como poderá lidar com esta fase:

O objeto é sempre escolhido pela criança: por muitos brinquedos que a criança vá tendo, é sempre ela e apenas ela que escolhe o seu objeto de transição. Muitas vezes pode até ser algo muito simples como uma fralda de pano, por exemplo. Este poderá ter um nome próprio ou não (geralmente, o nome é a palavra/sílaba que a criança diz quando tenta pedir o seu objeto).

Nem todas as crianças têm um objeto de transição: da mesma forma que é perfeitamente normal a criança ter um objeto de transição, também é normal não existir este objeto durante os primeiros anos de vida da criança. Tudo depende de cada criança e das suas necessidades.

É benéfico para a criança: apesar de muitas pessoas ficarem preocupadas por acharem que poderá ser prejudicial ou criar dependência, a verdade é que é muito saudável para o desenvolvimento emocional do bebé, pois ajuda a reduzir a ansiedade nos momentos em que este está separado da mãe, (como na hora de dormir por exemplo), ao mesmo tempo que desenvolve a sua dimensão afetiva e de regulação.

Pode ser um objeto…ou não: este objeto de transição pode não ser literalmente um objeto, mas outro elemento qualquer ao qual a criança se apegue, nomeadamente partes do corpo (como o cabelo ou a orelha por exemplo) ou até determinados sons (de uma determinada música, por exemplo).

Não tem idade ideal para acabar: não existe uma idade ideal para a criança deixar o seu objeto de transição. O mais comum é que, gradualmente, a criança comece a substituí-lo por outros interesses, o que frequentemente ocorre entre os 3 e os 5 anos. Contudo, cada criança tem o seu tempo e este tempo não é cronológico, mas sim emocional.

No entanto, é importante reter que deve estar atenta/o e que, caso este objeto permaneça até uma fase mais tardia do desenvolvimento, poderá ser benéfico procurar ajuda profissional, pois o esperado é que este objeto seja passageiro na vida da criança, tendo como função ser um apoio afetivo e securizante numa fase de transição da criança.

Não esconda o objeto da criança: procure não esconder nem deitar fora o objeto sem o consentimento da criança. Isto irá provocar ansiedade na criança e afetar a confiança que a criança tem em si.

Procure olhar sempre para o objeto de transição, como isso mesmo: algo transitório. Encare-o como um aliado seu e do seu filho no desenvolvimento emocional da criança. Como mãe/pai, por mais presente que seja, é impossível estar presente segundo a segundo. Este aliado mais não é do que um valioso recurso para o processo de regulação emocional da criança e de consolidação do seu eu, enquanto ser individual.

*artigo exclusivo para Barrigas de Amor®

Sandra Azevedo

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo

ficina de Psicologia – Equipa Mindkiddo

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