Atualidade

29 de Julho de 2013

Nova explicação para a perceção da altura pelos bebés

Aprender a evitar rebordos, peitoris, penhascos e outros perigos de altura é essencial para a sobrevivência e, mesmo assim, os bebés humanos não mostram uma desconfiança precoce das alturas.

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As crianças desenvolvem um medo das alturas como resultado das suas experiências com o ambiente que os rodeia, de acordo com uma nova investigação publicada hoje na revista Psychological Science, da Association for Psychological Science.

Assim que os bebés começam a gatinhar e a fugir, entram numa fase em que eles vão passar por cima da borda de uma cama, de um móvel de mudança de fraldas, ou até mesmo do topo de uma escada. De facto, a investigação mostra que quando os bebés são colocados perto de um local de queda virtual – uma mesa de vidro coberta que revela o chão abaixo – parecem ficar encantados com o precipício e não amedrontados por ele.

Só mais tarde, por volta dos nove meses de idade, é que os bebés mostram medo e tentam esquivar-se de tais locais de queda virtuais. A investigação sugere que as experiências das crianças com quedas não contam para essa mudança de comportamento, nem o desenvolvimento da perceção de profundidade.

Audun Dahl, Joseph Campos, David Anderson e Ichiro Uchiyama, investigadores de Psicologia da Universidade da Califórnia (EUA) e da Universidade de Doshisha (Japão), questionaram-se se a experiência locomotora pode ser a chave para o desenvolvimento de uma cautela com as alturas.

Os investigadores recrutaram, aleatoriamente, alguns bebés para receber treino no uso de um carrinho movido pelos movimentos do bebé, proporcionando-lhes experiências locomotoras, enquanto que outros bebés não receberam tal treino. A condição, para ambos os grupos, era de que nenhum dos bebés tinha já começado a gatinhar.

Os dados revelaram que as crianças que usaram o carrinho apresentaram aumentos significativos no ritmo cardíaco quando confrontado com a queda virtual, indicando que estavam com medo; as crianças na condição de controlo não mostraram tais aumentos.

O que é que a experiência locomotora pode dizer sobre a desconfiança?
Os dados mostraram que, à medida que os bebés ganham experiência locomotora, passam a confiar mais na informação visual sobre como o seu movimento é controlado relativamente ao ambiente. Na borda de um local de queda, muita desta informação é perdida, tornando as crianças locomovidas (e os adultos) cautelosos.

«Estes novos resultados indicam que as crianças não seguem um guião de amadurecimento, mas dependem de experiências bastante específicas para trazer uma mudança no desenvolvimento», observam os investigadores.

Como tal, as crianças que estão atrasadas na experiência locomotor – seja por motivos neurológicos, culturais ou clínicos – podem demonstrar um atraso em evitar alturas.

Uma vez que evitar alturas ajuda-nos a manter vivos, porque é que este mecanismo de defesa não aparece mais cedo?
Os especialistas supõem que um período de destemor pode incentivar o bebé a explorar o ambiente circundante, ajudando-o a desenvolver estratégias de movimento e aprender a adaptar-se ao terreno.

«Paradoxalmente, uma tendência para explorar situações de risco pode ser uma das forças motrizes por trás do desenvolvimento de competências», concluem os investigadores.

 

Fonte: Psychological Science/sapo família