Mães e Pais na 1ª Pessoa

Filipa Oliveira 

Mini Feijão

Nós

Há dias em que sinto que sou eu que preciso dela. De a abraçar, de forma intensa e apertada, de lhe cheirar o pescoço, de lhe dar um beijo naquelas bochechas ainda de bebé, apenas para sentir que está tudo bem, que ainda tenho um porto de abrigo e que a loucura em que os meus dias se transformaram pára e atinge a paz quando chego finalmente a casa. Há dias loucos, dias em que quando parece que não pode acontecer mais nada de idiota, eis que surge mais qualquer coisinha para desestabilizar, cansar mais um bocadinho e criar a ameaça de uma enorme enxaqueca. Hoje foi mais um dia desses, onde dou por mim a desejar várias coisas: umas férias paradas e merecidas, uma completa paragem dos problemas e da sucessão de disparates, ou simplesmente um “deixem-me por favor ir para casa abraçar a minha bebé e parar de me chatear” ou ainda aquele pensamento ainda mais mundano do “onde estava eu com a cabeça quando decidi ter uma empresa porque era tão mais simples ser uma mera empregada”. E não é em jeito de queixume porque bem sei a sorte que tenho por fazer na maioria das vezes aquilo que gosto. É em jeito de cansaço apenas. Porque queria ir buscar a minha filha a horas decentes e cada vez me despacho mais tarde e voltei a trazer trabalho para casa senão cheira-me que a miúda dormia na escola, porque chego a casa e tenho todas as tarefas domésticas à minha espera, porque estupidamente esqueço-me constantemente de tirar qualquer coisa para jantarmos e ando feita louca a inventar qualquer coisa decente para lhe cozinhar, porque ando há duas semanas a almoçar fora porque não tenho tempo de preparar uma “marmita” e o orçamento que devia chegar a dia 30 já quase se foi a dia 10… Sinto-me baralhada, sinto que tenho a vida num caos e vou tentando manter a normalidade das rotinas da Clara, mas muitas vezes só me apetece fechar os olhos e parar. Simplesmente parar. E olhar para a vida com olhos de ver. É insuportável este ritmo, esta correria constante. Devia aderir aos menus semanais, a fazer a mais para sobrar para o almoço do dia seguinte, devia ter uns segundos para cuidar de mim e dos meus, devia poder ter uns minutos para poder parar. Se estou acordada ando feita doida, quando paro adormeço e faço 12 ou mais horas seguidas tipo pedra.

Hoje obriguei-me a parar depois do jantar. Não quero saber do computador. Estive 1h sentada no chão a brincar com a Clara. Cantámos, fizemos desenhos, rimos, demos cambalhotas e estivemos as duas abraçadas, apenas abraçadas. E assim voltamos à primeira linha deste post, onde noto que preciso da estabilidade e da alegria que ela me traz para me obrigar a parar e a pensar na vida. Voltaram a dizer-me que admiram-se por ela ser uma bebé tão feliz. É o que mais tento, que a vida dela seja preenchida de afecto. Só faltava os pais terem um bocadinho para estabilizar e estarem quietos :)

Preciso mesmo de respirar. Fundo e com calma. Devia ir para o yoga ou alguma actividade do género para descontrair. Podia ser que ajudasse a que as coisas estabilizassem e se equilibrassem. Já aqui falei disto na semana passada: na imensa necessidade de reequilibrar-me, de parar, de respirar, de poder ser eu e fazer o que gosto. Não sou só eu que sou mãe, mulher, profissional e tudo ao mesmo tempo. Neste momento acho que desejo apenas que me deixem ser só a Filipa, a pessoa banal. Gostava mesmo de ter uma vida mais equilibrada.

Deixo aqui o desejo ao “meu” pai Natal. Com sorte pode ser que leia :)

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