Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

5 de Dezembro de 2015

Nós e eles: ser pai/mãe no meio de uma relação conjugal!

A relação entre a conjugalidade e a parentalidade tem sido largamente enfatizada do ponto de vista teórico e empírico. São muitas as vezes que, em consulta, vemos os pais das crianças em grande conflito conjugal, o que cria grande impacto no comportamento e nas emoções dos filhos. De igual forma, compreendemos também o impacto positivo que pais que funcionam como “equipa” têm na mudança positiva dos mais pequenos.

conjugalidade e parentalidade

A este propósito, são salientados os efeitos positivos ou negativos da relação conjugal no funcionamento parental, constituindo-se a qualidade do casamento como um forte preditor da parentalidade.

Apesar das diferentes hipóteses que emergem, é unânime que o consenso entre os elementos do casal sobre a forma como a família deverá funcionar nos vários domínios pode facilitar a definição do papel do pai, para além da resolução de dilemas internos e interpessoais, constituindo o cuidar da criança a área que suscita maior preocupação em termos da reorganização familiar.

Na linha do acima referido, segundo Doherty et al. (1998) um dos domínios mais sensíveis na paternidade é o que remete para a importância do casamento ​​e para a relação estabelecida com a mãe da criança. Acrescentam que o ambiente familiar mais favorável à paternidade implica a existência de uma união solidária, empenhada e colaborativa no casal. Para estes autores, viver com os filhos e ter uma boa parceria com a mãe da criança são dois dos principais determinantes intrafamiliares de paternidade responsável, estando provavelmente presentes em casamentos em que há colaboração, compromisso e carinho.

Na literatura é também sugerido que os pais que percecionam os seus casamentos como insatisfatórios e com conflito têm maior probabilidade de expressar sentimentos negativos em relação aos filhos, e considerar que eles apresentam mais problemas de comportamento. O conflito conjugal pode ter um impacto diferencial sobre o funcionamento das crianças, sugerindo-se que a paternidade e as relações pai-filho/a são mais vulneráveis ​​aos efeitos negativos da discórdia conjugal do que a maternidade e as relações mãe-filho/a, existindo implicações mais negativas para a adaptação das crianças no primeiro caso. Para além disso, a demonstração de raiva, tristeza e medo por parte de pais e mães no contexto do conflito conjugal provoca insegurança emocional nas crianças, embora pareça que elas podem ser mais sensíveis ao medo e tristeza das mães e ao medo e raiva dos pais. Os comportamentos ameaçadores e hostis (por exemplo, a agressão física e a hostilidade verbal) dos pais, comparativamente com os das mães, aparentam ser mais angustiantes para as crianças, ao passo que comportamentos destrutivos menos extremos, que reflitam insatisfação com as relações familiares (por exemplo, a hostilidade não-verbal), parecem conduzir a maior preocupação nas crianças quando são perpetrados por mães. Curiosamente, verifica-se que, quando se trata de táticas de conflito construtivo durante a discórdia conjugal (resolução de problemas, apoio e carinho), as crianças têm reações mais positivas quando os comportamentos têm origem no pai (e não na mãe).

Muitas vezes pensamos que os mais pequenos não entendem o que se passa com os pais, sobretudo quando o conflito emerge. No entanto, e apesar de se conseguir “esconder” bem o conflito que exista no casal, a verdade é que o impacto vai muito para além disso! Esta é uma importante reflexão para os casais que referem que apenas os filhos os mantêm na relação.

Fica a questão: valerá a pena?

Natália Antunes

Psicóloga

* Artigo exclusivo para Barrigas de Amor®

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