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Coaching Parental

17 de Abril de 2015

No amor, mandamos nós!

pae e filho

Os pais amam os filhos.

A verdade é que partimos todos desta máxima (porque é para nós impensável que seja de outra forma), pais que amam filhos e filhos que têm o dever de saber que os pais os amam e que tudo o que fazem é para o  bem deles, mesmo quando os resultados só agradam a um dos lados, o dos pais.

Mas existe uma diferença entre sentir-se amado e saber-se amado.

Sabemos que os nossos pais nos amam, sabemos porque é assim que é suposto ser, porque ouvimos dizer que não há amor como o que une os pais a um filho, sabemos porque é impossível ser de outra forma e temos a obrigação de registar isso como uma das maiores certezas absolutas da nossa vida, mesmo que eles não o verbalizem.

Há toda uma geração agora com 40, 50 anos, que nunca ouviu um “amo-te” dos primeiros amores e heróis da vida, os pais, há toda uma geração hoje também.

O amor não precisava de ser verbalizado para ser reconhecido. E hoje continua a não ser. Mas é mais preciso.

Estamos a falhar no sentir. No fazer sentir amor.

Hoje, felizmente, os pais verbalizam “amo-te” com uma frequência sem precedência, mas por vezes, parece que o dizer se torna no ponto final parágrafo obrigatório para o sentir. “Se eu digo, é porque é”.

É. Mas eles precisam de sentir.

E eles sentem nos sorrisos quando chegam a casa, antes do disparo das 32 ordens do “tira os ténis, vai lavar as mãos, vem lanchar e vai fazer os trabalhos de casa”.

Sentem na compreensão dos seus comportamentos “eu compreendo que estejas tão zangado que só te apetece gritar”.

Sentem no gosto do tempo que passam juntos, sem o “anda lá despacha-te”.

As crianças precisam de se saber amadas, mas é o sentir que muda o mundo. É o sentir que alimenta a consciência de importância, de valorização, saber-se “ a pessoa de alguém”.

E os pais também precisam. Dá-lhes a indicação de que encontraram o seu caminho, o seu ritmo, o seu estilo, a certeza de que estão a conseguir educar para os afectos. Educar um coração.

Como é que transforma o saber em sentir?

Podia “receitar-lhe” umas estratégias pedagógicas podiam ou não resultar, mas o filho é seu, conhece-o melhor que todas as pessoas e ama-o como ninguém, eu sei, você sente e ele, se tudo correr bem, também.

O amor também se demonstra de olhos fechados sabe?

Feche os olhos e lembre-se do último momento em que se sentiu em plenitude e felicidade com o seu filho, lembre-se do que estavam a fazer, onde estavam e o que sentia, o que sentia o seu coração, lembre-se da actividade involuntária do seu maxilar e da manta invisível que naquele momento lhe aquecia o coração…

Vivam-se em momentos felizes. Os vossos.

Bom amor!

Cristina Nogueira da Fonseca

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