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Psicologia

1 de Junho de 2016

Nem só os crescidos têm ansiedade social

ansiedade social

Quando falamos em ansiedade social, rapidamente fazemos a associação de que “isso é ansiedade de adultos.” Na verdade, a ansiedade social é bastante comum também na infância e adolescência. Sabemos que tende a manifestar-se de forma mais evidente no decorrer da adolescência e é especialmente na idade adulta que a maioria das pessoas a reconhece como um problema.

A ansiedade social pode definir-se como um medo marcado e persistente de situações sociais ou de desempenho nas quais a criança, adolescente ou adulto está exposto e nas quais teme o embaraço ou a humilhação. A ansiedade social apresenta um padrão de situações receadas muito abrangente, de grande intensidade e persistente no tempo. A investigação tem demonstrado que a ansiedade social, pode estar relacionado com um conjunto de fatores biológicos, fatores familiares e relação com os pares e ainda por experiências precoces traumáticas (exposição a situações de desaprovação, de humilhação ou fracasso marcado).

Em crianças e adolescentes, a maioria das dificuldades de caracter psicológico assumem manifestações por vezes um pouco diferentes daquelas que acontecem nos adultos. No entanto, é importante saber sinalizar e perceber quando a criança ou jovem está em sofrimento (mesmo na ausência da verbalização do problema) para conseguir-se garantir uma ajuda especializada quando necessária, por forma a diminuir parte dos sintomas desencadeados pelo processo de ansiedade e para prevenir a sua evolução em situações futuras.

Na ansiedade social, algumas crianças e adolescentes poderão apresentar sintomas físicos como: dores de barriga, desconforto gastro intestinal, transpiração rubor fácial e presença de tiques. O medo relacionado com a exposição social faz-se igualmente sentir num conjunto de comportamentos observáveis como:

  • Esconder-se permanentemente atrás dos pais;
  • Dificuldade em manter contacto ocular;
  • Medo de falar em público;
  • Recusa em ir às festas dos amigos
  • Ausência de participação nas aulas;
  • Recusa em fazer pedidos (ex: ir à padaria);
  • Pouca iniciativa em atividades;
  • Evitar falar ao telefone;
  • Usar jogos / telemóvel em público como escape

Qualquer um dos comportamentos acima descritos, quando ocorrem de forma isolada não significa que a criança apresente ansiedade social, no entanto, quando a maioria deles ocorrem de forma sistemática, com um nível de sofrimento elevado, poderemos estar perante um quadro de ansiedade social. E aí, um profissional de saúde, pode ser um importante aliado para que a criança aprenda estratégias para diminuir a sua ansiedade.

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Cecília Santos

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia