Mães e Pais na 1ª Pessoa

Joana Gama e Joana Paixão Brás  

A Mãe é que Sabe

Não sou mãe galinha, sou informada!

A verdade é essa.

Não há coisa que me enerve mais do que “no meu tempo não fizeram assim e não morri”. Tu não, mas que a taxa de mortalidade infantil era muito mais elevada, era.

(passem para o fim se quiserem ler três coisas que me salvaram a vida, até lá é um desabafo)

Desde antes de me tornar Mãe que me tornei uma devoradora ávida não só de livros, mas de artigos da internet, de fóruns de mães, de grupos no Facebook. Tudo para que não me escapasse nada ou, melhor, para que sentisse que não me escapava tudo.

Um ano de Mãe e sinto que não devia ter lido tanta coisa. Houve muita coisa desnecessária e que teve o efeito contrário ao suposto: em vez de ficar mais confiante, fiquei mais insegura. O efeito de estudar muito acaba sempre por ir dar à máxima de Sócrates (não à desse, à do outro): “Só sei que nada sei”. 

E entramos assim, num ciclo. Acho que todas as mães assumem para si próprias a missão de serem as melhores mães do mundo. Não imagino ninguém que pense: “quero ser uma mãe mais ou menos que é para ver se não me canso muito”.  Por acaso conheço quem o pense (e até fico mal disposta), mas gosto de acreditar que essa pessoa acha que, na mesma, está a fazer o que está certo.

A diferença está no que achamos ser “o melhor”. Como sempre. Aliás, se todas considerássemos que o melhor é o mesmo, seria esquisito e andávamos todas a arrancar o cabelo umas às outras por causa do mesmo tipo.

Uma coisa não percebo. Por que é que me sinto altamente julgada e às vezes até gozada por ser uma mãe que estuda, que investiga? Sei que, quando sentimos estas coisas, o princípio está em nós. É como quando acreditamos que todos nos acham gordas. Quem acha isso antes de toda a gente somos nós. “Eles” podem nem ter pensado nisso.

Ok. Admito que possa estar em mim (não admito assim tanto). Não acredito no instinto maternal tanto assim.Acho que estamos constantemente preocupadas com tudo no que toque à saúde e bem-estar deles e, por isso, poucas coisas nos escapam. Estamos num constante estado de alerta. A maternidade há algum tempo que deixou de ser tão natural quanto deveria. Já não vemos as nossas mães a cuidarem dos nossos irmãos, já não as vemos a dar de mamar… E, pior! Agora por causa do conhecimento, muitas das coisas que supostamente estavam certas para as nossas avós e mães estão não só postas em causa como também são perigosas.

Eu estudei tudo o que podia sobre como tratar um recém nascido, sobre amamentação, sobre alimentação, sobre os sonos, sobre doenças, ….

Desvantagens: 

Um enorme sentimento de frustração quando as coisas não batem certo.

Não ter ninguém com paciência para nos ouvir quando queremos partilhar o que sabemos.

Passar por algumas fases de desespero por haver opiniões contraditórias, até sabermos o suficiente para conseguirmos distinguir o que é de confiança.

Vantagens: 

Falharmos menos.

O bebé comer melhor, dormir melhor, estar mais feliz, ter mais saúde do que, provavelmente, se não lesse. No meu caso, pelo menos, é mais do que verdade.

Tendo em conta esta lista na minha cabeça, como não optar por saber mais coisas sobre a minha filha? Fiquei chocadíssima também com a reportagem da alimentação na SIC. Os pais “que nunca pensaram nisso” e que foram indo. Não quero ser desses pais. Corrigir os erros “mais tarde” é “mais tarde” e não gosto disso. A minha filha não é um crash test dummie.

Coisas que me “salvaram a vida”: 

Picos de crescimento e saltos de desenvolvimento.Finalmente percebi por que é que a minha filha, durante semanas, não queria outra coisa que não mamar. E entendi também por que é que às vezes ela parecia um monstro que não parava de rabujar e que me fazia questionar a minha vontade de ser mãe de mais um. Isto fez com que conseguisse manter a amamentação até agora e parte da minha sanidade mental. Tenho muitas mais lições e importantíssimas para partilhar sobre amamentação, mas sinto que já não podem comigo e, portanto, vou dar um intervalinho.

O escuro produz melatonina, a hormona do sono.

– Eles têm mesmo de parar e de ficar num ambiente mais escuro para se acalmarem. Podem não parecer ter sono na sala com a televisão aos berros, com os brinquedos irritantes, mas se formos adaptando o ambiente, eles quebram.  Fisicamente ficam mesmo com sono no escuro (tal como nós!).

Terrores nocturnos

– Saber o que são terrores noturnos fez com que eu não quisesse atirar-me de uma janela quando vi a Irene a ter um pela primeira vez. Apesar de não concordar (ou de não conseguir) com o que a literatura diz para fazer nessas circunstâncias, saber o que é, é importantíssimo.

– Saber mais sobre alimentação

O BLW é uma óptima maneira de iniciar e manter o interesse da criança pelos alimentos. É a maneira mais natural. Optei por conciliar a maneira tradicional com essa. Por ler muito sobre o assunto e, neste caso, graças a uma conversa com a Joana (obrigada) fiquei a saber que é um grande erro dar cogumelos e carne na mesma refeição (demasiada proteína, sobrecarrega os rins).

– Os recém nascidos devem dormir de barriga para cima

Para evitar a tal morte súbita. Na maternidade ainda os põem a dormir de lado, apesar das recomendações. São coisas que só sabemos se nos informarmos.

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