Atualidade

2 de Julho de 2013

Menina autista de três anos pinta quadros valiosos

Tem apenas três anos, é autista e, embora ainda não saiba falar, tem um talento extraordinário para se expressar através… da pintura.

 

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A pequena Iris Grace Halmshaw, uma menina inglesa residente em Leicestershire, está a impressionar o mundo com os seus quadros, que têm sido vendidos por valores que já chegaram às 1.500 libras cada (cerca de 1.750 euros).

“Começámos a encorajar a Iris a pintar para a ajudar com a terapia da fala e a concentração, mas acabámos por nos aperceber de que ela é realmente talentosa e consegue manter-se focada em cada obra durante um período de tempo incrível de aproximadamente duas horas”, explicam os pais, Arabella Carter-Johnson e Peter-Jon Halmshaw, no site criado para divulgar as pinturas da menina.

“Decidimos partilhar a arte dela como forma de chamar a atenção para a sua condição de autista e para inspirar outras famílias na mesma situação, porque o autismo afeta, atualmente, cerca de 100.000 crianças no Reino Unido e os números estão a crescer”, acrescentam os progenitores.

Quando o fizeram, porém, Arabella e Peter-Jon não esperavam uma reação tão calorosa às obras da filha. A página onde dão a conhecer os seus quadros no Facebook já ultrapassou os 6.000 seguidores e, de acordo com o jornal britânico Daily Mail, um colecionador privado acaba de comprar dois dos seus trabalhos originais por 1.500 libras (cerca de 1.750 euros) cada.
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Além disso, desvenda o diário, os quadros estão a ser vendidos por valores mínimos que rondam as 295 libras (aproximadamente 300 euros) e já está a ser planeada uma exibição a título individual em Londres, à qual se seguirá um leilão dos quadros.

“Nós preparamos as tintas, ela escolhe aquelas que quer usar e, quando precisa de mais, pede-nos. O autismo fez com que desenvolvesse uma forma de pintar que nunca vimos numa criança da idade dela”, afirmam os pais, orgulhosos, salientando que a menina tem uma grande compreensão “das cores e de como elas interagem entre si”.

“Ela ilumina-se com entusiasmo e felicidade quando apresentamos os quadros ao mundo, isso deixa-a sempre mais bem-disposta. A Iris encontrou uma forma de se expressar que é tão bonita que quisémos partilhá-la”, continuam os progenitores.

Terapia e pintura têm trazido grandes progressos

Iris foi diagnosticada com autismo em 2011 e, desde então, tem feito enormes progressos. “Com a ajuda dos especialistas melhorou muito num curto espaço de tempo”, garantem Arabella e Peter-Jon, que contam que a filha adora a Natureza, livros, fotografias e dançar em bicos de pés e que segura sempre algo na mão esquerda.

“Ela costumava perder-se nos livros, raramente estabelecia contacto visual, não queria nem sabia brincar connosco e ficava desesperada junto de outras crianças. Agora, brinca, comunica através dos próprios sinais e dorme muito melhor”, congratulam-se ambos.

“Ainda temos um longo caminho a percorrer no que toca às competências sociais e à fala, mas estamos a ter mais ‘dias bons’ e uma das atividades favoritas dela é pintar”, concluem os pais, que acreditam que a expressão dos sentimentos da menina através da arte a tem ajudado a progredir.

Os quadros de Iris Grace podem ser consultados na página oficial da menina no Facebook, clicando AQUI, ou no seu site, clicando AQUI. Todos os lucros das vendas revertem para a compra de mais materiais de pintura e para o pagamento das sessões de terapia da menina.

Fonte: Boas Notícias

Comentários

  1. vitor marques diz:

    Sou pai de um menino com espectro autista, pois a palavra autista usada na década de 50 no século passado e com os estudos de Asperger e de Kanner verificou-se que a palavra autista não teria sido muito feliz pois eles eram isolados por não conseguirem adaptar-se às capacidades desenvolvidas por uma criança dita de “normal”
    hoje fala-se mais em termos de espectro que é um conjunto de características semelhantes em cada criança de manifestação física e comportamental que se traduz num estado de défice comportamental por vezes de difícil quantificação. A nível genético podem apresentar os mais variados défices cariogénicos que se vão repercutir a nível fisiológico o que lhes pode causar os mais variados problemas de saúde física e mental. O défice depende da deficiência neurológica de génese e pode ser devida a diversos factores durante a gestação ou não.
    portanto este problema e multifactorial e por isso difícil de perceber por onde começar. Investigadores Norte americanos procuram respostas nomeadamente por comparação com outros síndromes mas o estudo vai ser muito longo por ser complexo.
    A manifestação comportamental é um reflexo da malformação do sistema nervoso na sua génese por isso o tratamento passa por terapias e por medicação, que pode ajudar a melhorar algumas deficiências ou não tudo depende do estímulo e da recepção por parte do paciente, mas são muito favoráveis no geral, tudo depende do grau se défice e da próprio paciente como um todo e em conjunto com o seu ambiente familiar e escolar.
    Portanto este caso é um bom exemplo que se verifica que se tem de ir ao encontro das capacidades e interesses demonstrados por estas crianças, aproveita-los e estimula-los e não como se fazem nos planos educativos de ensino especial de as ver todas da mesma maneira com uma etiqueta e mete-las todas na mesma sala.
    Presto aqui a minha homenagem aos Drs. Pedro Caldeira e Miguel Palha por tudo o que têm feito em Portugal por estes meninos e não só do autismo mas de todas as patologias a nível mental.
    Deixo aqui a minha solidariedade a estes pais pois são os primeiros a compreender o seu filho melhor que ninguém e eles sabem quem os ama mais que ninguém no mundo
    Abraços Vitor Marques