Espaço Família | Vem aí um irmão

Psicologia Clinica

30 de Julho de 2013

Mediar a relação entre os manos

relacao_irmaos

“Hoje vamos comprar uma bóia nova  para mim? O B. tem uma nova e eu não….!”, foi assim que começou o dia de hoje a caminho da praia. A M. anda cada vez com mais ciúmes e chamadas de atenção…  nem sempre é fácil gerir todos estes sentimentos, agora que são 2!

A promoção de uma relação saudável entre os manos começa ainda na altura da gravidez do segundo filho e perdura ao longo do desenvolvimento dos filhos. Como foi  referido no texto “O bebé explicado ao mano(a). Os ciúmes do mano mais velho em relação ao bebé” do tópico “Pais de um bebé e de uma criança (nascimento do 2º filho)”, a definição dos papéis de ambos na família é fundamental para que se sintam partes integrantes da mesma, e reconhecidos nas suas semelhanças e diferenças. A relação entre irmãos é muito influenciada pelas expectativas que a família tem acerca das características, competências e possibilidades de cada uma das crianças. Cabe aos pais valorizarem ambos os filhos nas suas particularidades individuais e reforçar os momentos de partilha entre ambos, e até promovê-los. Incentivar a preparação de programas entre irmãos é uma boa forma de fortalecer os laços entre eles.

Em todas as fratrias surgem sentimentos de inveja e rivalidade. Não há dúvidas que este tipo de relação é uma importante fonte de aprendizagem e de treino de relações entre iguais. Como tal, é importante que os pais não se envolvem em demasia nos conflitos dos filhos. Claramente, quando as crianças são muito novas os pais têm de ter uma intervenção mais ativa na resolução de conflitos. À medida que os filhos vão crescendo os pais têm de se ir afastando para que os filhos aprendam a resolver os seus problemas e conflitos. A rivalidade e o ciúme não devem ser valorizados pelos pais. Se os pais atenderem a crenças tais como: “se compro uma peça de vestuário para um, tenho imediatamente que comprar para o outro senão fica sentido”, vêm reforçar a luta de poder entre os irmãos. Nestas situações, basta explicar que desta vez a compra foi apenas para um (explicando sucintamente o motivo: porque ele precisava daquela peça de roupa, ou porque foi uma questão de oportunidade) e que haverá outras vezes em que será para o outro irmão. Os possíveis amuos que podem decorrer disso devem ser ignorados de forma a não fortalecer estas emoções.

Elogiar as tentativas do mais novo em ajudar o mais velho, ou os comportamentos protetores do mais velho em relação ao mais novo, transmite aos filhos a mensagem de que os pais gostam de os ver a colaborarem um com o outro e ajuda a consolidar a relação.

Apesar da rivalidade entre irmãos ser frequente e natural, a maioria dos filhos sentem-se mais tarde gratos por terem o privilégio de terem irmãos.

 Dra. Nelly Almeida (Psicóloga clínica)

Consultório em Leiria – 91 39 19 437

CeFIPsi: Centro de Formação e Investigação em Psicologia

cefipsi_logo