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20 de Julho de 2015

Mário Cordeiro. ” Não tenho problemas nenhuns com uma palmada nas mãos se uma criança testa os limites”

A terceira parte da entrevista com o pediatra Mário Cordeiro.

Os seus filhos mais novos já têm telemóvel?

Já, mas muito limitado – tanto que se esquecem dele. E não têm consolas.

Não pediram?

Pediram e eu disse que não, como disse aos Game Boy dos outros. Mas disse que não sem ser uma raiva cega. Simplesmente achei que seria altamente viciante. Qualquer jogo é viciante e com esse tipo de jogos apetece sempre mais um – seja para continuar a ganhar ou para recuperar da derrota. Sendo uma coisa tão limitada e que não exercita os cinco sentidos, achei que seria muito difícil controlar a fera e decidi que não.

Cometeu alguns erros?

Sei que por vezes gritei quando não devia ter gritado e posso ter feito um charivari por coisas secundárias. Injustiças ao ponto de vista dos traumatizar creio que não, mesmo que possa ter sido injusto. Mas sempre que tive noção disso pedi desculpa.

E palmadas?

Quando eles eram miúdos – assim com um, dois ou três anos – e não entendiam muito bem a comunicação oral, às vezes usei o enxota moscas. Não tenho problemas nenhuns com isso. Acho que é muito diferente bater numa pessoa, numa criança, na cara – o que é atingir a pessoa – do que dar uma palmada na mão ou no rabo se a criança testa o limite e vai mexer em algo que estamos fartos de dizer que não é para mexer. É preciso mostrar que há limites e tem de haver limites em tudo na nossa vida.

Quais são os maiores erros dos pais?

Medo de educar, medo de traumatizar. Caricaturando, aquela coisa do “se educo agora ele depois ainda se mete na droga”. Não tem de ser nada assim. Na altura os filhos podem ficar abespinhados, mas mais tarde agradecem ter sido educados.

O sentimento de culpa de que falava não dificulta esse exercício?

Sim, mas de facto o triângulo pai-mãe e filho no vértice em baixo é para ser usado. As crianças precisam de sentir que há alguém que sabe navegar o barco se houver tempestade.

Como tem tempo para escrever tanto e livros com centenas de páginas?

Fui escrevendo ao longo da vida muitos artigos para os jornais, para a revista “Pais & Filhos” e fui guardando as coisas, que compilo. Mas gosto muito de escrever, faço-o desde a infância. Aos dez anos tinha um jornal. Batia à máquina um exemplar e o meu irmão que é 14 anos mais velho do que eu, e meu padrinho, financiava cinco fotocópias.

Como se chamava o jornal?

“Trapalhadas”. Saíram aí uns 10 ou 15 números com uma secção de internacional, outra nacional e outra para gozar com as minhas irmãs. Mais umas palavras cruzadas. Noutro dia estive a reler e é engraçado que há coisas que não sabia onde ia buscar, não tendo uma família muito politizada. Do género esta adivinha: “quando o comunismo for implantado nos EUA, será do tipo soviético ou chinês?”. Não me consigo lembrar de como é que aos dez anos tinha noção disto.

Tem muita coisa guardada?

De mais, precisava de ter outra casa para encher de livros e mais livros. Sou um leitor compulsivo.

E melómano. Que banda-sonora escolheria para o momento que estamos a viver?

Não sei, há tanta coisa. A Europa faz-me um bocado de confusão. Escrevi um poema em 2004 quando foram os atentados da Atocha em que já mostrava desilusão em relação à Europa. A destruição de ideais é uma coisa que me impressiona muito. Não compro muito os “amanhãs que cantam”, mas quando se vê a finança a matar tudo, a matar a solidariedade, dá muito que pensar. Quanto é que um dia vai custar olhar para o mar?

E sobre o que se passa cá dentro, o que sente?

Com toda a franqueza, espero que haja mudanças. Não sei quais, nem como, nem em que é que vai dar. Há uma coisa que me faz espécie que é a mentira. A mentira deliberada, tentando enganar o outro. Assim como o alijar de responsabilidades. Estes casos que temos visto ultimamente e as comissões de inquérito, todo esse rol de conselhos fiscais que não sabiam de nada, administradores que não sabiam de nada… A certa altura é um bocado impressionante que ninguém soubesse de nada, com os custos terríveis que isso teve para o país.

Não foi convidado agora para cabeça de lista do PS? Há figuras inesperadas até do mundo académico.

Não. Não faz o meu estilo. Estou como Oscar Wilde, que creio que dizia que se entrasse num partido saía de lá no dia seguinte. Sou incapaz de reverências e de ir contra a minha consciência.

Até quando quer trabalhar?

Tenciono trabalhar até ao dia em que reconheça que já não quero ou que alguém por mim tenha a bondade de dizer “cuidado” porque já não estou capaz, porque às vezes as pessoas não dão por isso. Acho que deve haver uma idade mínima de reformas, mas alguma flexibilidade. Duas pessoas que morreram recentemente, Maria de Jesus Barroso e a pediatra Maria de Lourdes Levy, que trabalharam praticamente até ao último dia de vida, ainda que com outro ritmo. Mas também não se vive só para trabalhar.

Ainda dá consulta todos os dias?

Sim, mas tenho duas tardes por semana livres. Acabei agora um curso de História de Arte na Sociedade Nacional de Belas Artes. A minha mulher desafiou-me e foi óptimo: era todas as terças entre as 18h30 e as 20h30. Com o caderninho de apontamentos, entrava ali e o resto da vida desaparecia. E era estar duas horas a ouvir e ver coisas bonitas e depois chegar a casa e explorar mais. Não tem nada a ver com a minha profissão, mas deu-me imenso prazer. Toco piano e agora vou aprender violino – o meu filho Eduardo desafiou-me e vou. Não vai ser para ir para o CCB dar concertos mas gosto de aprender.

Com tantos interesses, tem uma lista de coisas a fazer antes de morrer?

Não, é só viver mais, chatear-me menos com coisas que não vale a pena e fazer o que me dá prazer. Ainda ontem fui passear pelas veredas com a cadelinha, a ouvir música e tirar fotografias. E a minha mulher diz-me logo “quantas vezes já fotografaste o batatal?”. Não é o mesmo batatal, todos os dias há uma luz diferente.

É o seu segundo casamento.

Sim, estamos juntos há oito anos.

Foi fácil gerir o divórcio com os filhos?

As crianças não ligam muito às questões dos adultos.

Mas os divórcios não podem ser traumáticos?

Como qualquer evento pode ser traumático – o nascimento de um irmão, uma mudança de escola. Se a criança se sentir ameaçada, o sistema de alerta é activado. Se não se sentir ameaçado a vida continua serenamente.

Como fizeram?

Tentámos minorar os estragos. Tentámos que eles sentissem sobretudo que são amados, que têm um percurso de vida. E mesmo a entrada em cena de outras pessoas, as madrastas e padrastos – com tanta má fama pela história da Branca de Neve – são pessoas que podem ter um papel na vida dos miúdos, que só querem sentir-se amados e orientados.

Qual é a idade mais fascinante nas crianças?

Todas. O que me entusiasma é ver a evolução deles e sentir que de alguma forma posso mudar alguma coisa em alguém. O que se calhar tem a ver com essa angústia existencial com que lido, uns dias mais facilmente e outros menos. Essa revolta ou essa constatação de que o tempo é tão pouco para tanta coisa. Eu e o tempo esgrimimos uma terrível luta e, muitas vezes, o criar, o escrever, o intervir é tentar deixar uma marca. Nem que seja como as pegadas na areia, como escrevi no meu livro sobre o meu cão. O mar virá e apaga os vestígios da nossa passagem mas, de vez em quando, é bom viver a ilusão da perenidade.

Que marca gostava de deixar?

Não sei. Não sei o nome dos meus trisavôs, por isso o nome não será. As obras são perecíveis – a biblioteca de Alexandria ardeu. As coisas são perecíveis, mas acho que estamos vivos enquanto perduramos na memória de alguém e daí ter feito o livro do meu avô e este dos médicos, para que estas pessoas e o que fizeram fique na memória de alguém.

E a sua biografia?

Se alguém a fizer não serei eu. Mas tenho vários projectos. Estou a escrever algumas considerações sobre a finitude da vida. O primeiro apontamento é sobre Eva Cassidy, estava noutro dia a ouvir o último concerto dela e quando ela canta “What a Wonderful Day” e “Fields of Gold” é de alguém que sabia que não tinha mais um mês de vida.

Teme a morte?

Não, embora não seja crente numa vida depois da morte. Sou agnóstico. Fui educado na religião católica mas acho que as igrejas são feitas de homens com vícios de poder e não gosto, como não gosto de sociedades secretas e corporativismo. Prefiro ser um livre pensador. Não sei o que se vai passar, mas não gosto de sofrer e sei que algumas mortes são muito dolorosas. Acima de tudo tenho uma enormíssima pena da finitude da vida.

Para estes dias de férias o que trouxe?

Muitas coisas. Ontem li dois livros.

Dois?

Estava nevoeiro e enquanto as crianças jogavam ping-pong e estavam na piscina foi o que fiz. Li a Encíclica do Papa Francisco sobre ambiente e gostei muito. Lá está, usa uma linguagem coloquial, entendível. É uma pessoa por quem tenho uma enorme consideração, até pela despreocupação dele, mesmo parecendo que está toda a gente à procura de lhe apontar falhas. O outro livro foi o do Ruy de Carvalho sobre a relação dele com a cadela que morreu há um ano. Consegue ser comovente sem ser lamechas.

E tem escrito?

Sim, estou a terminar um livro de poemas sobre amor dedicado à minha mulher e tenho um romance que escrevi há quase 30 anos e tem estado na cabeça.

Como consegue agora expor-se assim, até nesses textos?

Já deixei de pensar muito naquilo que as pessoas acham de mim. Sou o que sou, carrego os fantasmas do passado e o meu presente para o futuro e, quem gostar, gosta; quem não gostar, não gosta. O que importa é dar sempre o melhor, nem que seja os 3500 caracteres na crónica no i. Claro que quando escrevo são 35 mil caracteres mas é um exercício de aperfeiçoamento. Na poesia também é isso: conseguir mostrar ideias, sentimentos e conceitos com uma contenção de palavras e gramatical enorme.

Aprendeu mais como pai do que na Medicina?

Aprendi muito como pai, mas também tive de aprender técnica. Na vida são precisos quatro t’s: talento, técnica, trabalho e tempo. Sem isso não se vai a lado nenhum. Nada se faz sem trabalho nem sem tempo.

Qual foi a sua maior aprendizagem?

Tornar-me menos radical na emissão de juízos sobre os outros. As pessoas têm facetas boas, facetas más. Acho hoje essa compreensão sistémica da vida muito mais interessante do que emitir juízos de carácter. E quando as pessoas me desiludem, simplesmente afasto-me. Gosto da ideia do Júlio Machado Vaz de que, mais do que a família, é a tribo que construímos que importa, o leque de afectos. Mesmo que as pessoas estejam longe e não me lembre do dia que fazem anos e só ligue depois. Lembrar-me porque o telemóvel manda não quero. Há o risco de nos transformarmos em páginas de Facebook ambulantes e não quero isso para mim, ser daquelas pessoas que já não conseguem dizer se gostam do momento sem tirar uma selfie e ver o número de likes.

As suas primeiras recordações são em férias?

Sim, e curiosamente a primeira não é muito agradável. Estávamos a passar férias em Sintra e eu devia ter uns quatro anos. Lembro-me de cair, ferir-me num joelho e ir a correr ter com a minha mãe a chorar. Lembro-me de ela me pôr o mercurocromo, que se usava na altura. É como se fosse ontem. Logo a seguir, talvez no mesmo Verão, lembro-me de um dia à saída da igreja de São Pedro, em Sintra, perder-me dos meus pais. É uma sensação horrível. Uma senhora lá me viu, conhecia os meus pais e levou-me até eles. Quando os vi tive uma crise de choro e como recompensa deram-me um carrinho.

Esta zona da Lourinhã como surge na sua vida?

Quando me formo venho fazer o serviço médico à periferia a Óbidos mas fico a viver na Lourinhã. Naquele tempo todos os médicos faziam esse estágio de medicina familiar, uma escola de aprendizagem fantástica. Acho que só aí, depois de dois anos em Santa Maria, é que senti que, se um dia qualquer não fosse trabalhar, faria mesmo falta às pessoas.

Onde cresceu?

Em Lisboa, víviamos no Restelo. Sou o mais novo de oito irmãos. Tenho um irmão mais velho, depois seis raparigas e por fim eu. É uma sanduíche.

Era o boneco das meninas?

Não muito. É uma ideia que se pinta um bocado dos mais novos, mas não é bem a recordação que tenho. Quando há muitos irmãos há cumplicidade, mas também há alguma rivalidade. Senti-me, por vezes, um bocadinho à parte.

Isolava-se?

Sempre fui muito tímido. Tinha dificuldade em abordar alguém, em responder. Quando um professor dizia para pôr o dedo no ar e responder eu evitava. E não era por não saber, mas por não querer que olhassem para mim.

Já tem contado que era também mais pequeno do que os outros.

Sim, cresci tarde e via-o como um handicap. E ainda hoje profissionalmente sou solidário com os rapazes que crescem tarde. Tinha, felizmente, um companheiro de infortúnio que era o Carlos Ruah, também médico, pai da Daniela. Fomos sempre amigos e naquela altura, pelo menos, éramos dois contra aquelas torres.

Apanhavam dos maiores?

Isso não. Andei no liceu público, no Pedro Nunes. Naturalmente havia zaragatas, mas nada que fosse um crime. Era quase sempre questões em torno do Benfica/Sporting, aquelas coisas típicas do “foi golo ou não foi”, “o árbitro foi um ladrão”.

Não era bulliyng.

Não. Quando muito os que estavam em oposição pegavam-se e os outros faziam um circulo à volta a incentivar. Depois aparecia o contínuo e separava-os. Ainda assim, a sensação que tenho é que mesmo esse grupo que se juntava, se aquilo descambasse, intervinha. Havia uma certa solidariedade entre todos e ninguém sofria muito – era uns arranhões aqui e ali. Nunca dei por bullying como se fala hoje e, se calhar, agora também se exagera. Confunde-se este tipo de situações normais na relação interpessoal em grupo com violência.

Do Liceu Pedro Nunes saíram muitas figuras públicas.

Sim, fui colega de alguns.

Por exemplo?

Do Marcelo Rebelo de Sousa. É mais velho que eu mas ainda andámos dois anos ao mesmo tempo no liceu. Ele gostava muito de cinema e, uma vez, com uma daquelas câmaras – que hoje seriam uma relíquia histórica – decidiu fazer um filme sobre um dia no liceu. Como era colega de turma do irmão dele, lá participei e entrávamos a chegar, a subir as escadas. Um dia, passados largos anos, chamou-nos para ver o filme e foi muito engraçado rememorar aqueles tempos. Fui também colega do Luís Nobre Guedes, do João Carlos Espada, de muita gente.

Na altura ainda era um liceu só de rapazes?

Sim. No 7.º ano – actual 11.º, na altura o último ano – havia autorização para 10% de raparigas, mas na realidade eram só três. Eram assim umas regras um bocado exóticas…

Acabavam por ir espiar as raparigas?

Não era bem espiar… Os liceus masculinos eram o Pedro Nunes, o Camões, o D. João de Castro e o Passos Manuel. Os femininos eram o Maria Amália, o Dona Leonor e o Filipa de Lencastre. E era no Filipa que estavam as raparigas mais giras.

A sua infância tem imagens de alguma dor: física, perder-se dos pais e ser pequeno.

Também tenho memórias positivas! Não acredito naquele estado de felicidade pura, talvez só se uma pessoa fizer um shot de heroína e é por meia hora se não correr mal… Acredito em momentos felizes e até acho que os momentos menos felizes ajudam a degustar melhor os felizes. Tenho muitos momentos felizes associados, sobretudo, a espaço. Ao crescer numa moradia com espaço, andar de bicicleta, andar na cowboiada. Tudo sempre muito ligado à natureza, fosse a subir às árvores ou a jogar futebol. No fundo, como vejo agora os meus filhos fazer. Ainda hoje me sinto um bocado enclausurado em espaços fechados.

Pegando na crónica que escreveu há dias no i, sobre a saga do clube dos meninos de camisa Lacoste no liceu, de que forma é que o seu pai cultivou o não ir atrás da carneirada?

O meu pai tem um percurso muito giro. Veio da Índia sozinho aos 14 anos, isto em 1926, para estudar no Pedro Nunes, curiosamente, fez o 6.º e o 7.º num ano e entrou na faculdade de Medicina com 15 anos. Cultivou sempre um enorme ascetismo, para ele tudo o que fosse desperdício era errado. Tudo o que não fosse ser frugal, como comprar sem motivo, não fazia sentido. Se lhe tivesse dado um argumento bom, talvez me tivesse comprado a camisa. Mas ele habituou-nos sempre a esse exercício.

De alguma austeridade?

Sim, nesse sentido de não ter mais do que aquilo que se justificava. Mas é engraçado que havia coisas que podíamos pedir. Tudo o que fosse aprendizagem, como aulas de línguas, e viagens. Fiz interrail quatro anos. Claro que não era viagem em primeira classe e hotel de luxo, mas isso ele deu-nos.

Fez os interrails perto do 25 de Abril, não?

O primeiro foi mesmo em 1974, no Verão. Fui nesse ano à Checoslováquia e entrar não foi propriamente fácil…

Que imagens tem dessa primeira grande viagem?

Éramos um grupo de seis ou sete e o mais forte era aquela sensação de liberdade, de acordarmos em Oslo e, se nos apetecesse, ir até Roma era só apanhar o comboio. De resto, já se notavam enormes diferenças entre uma Eslovénia, rica e com supermercados e mini-mercados, de uma Montenegro ou Letónia onde a vida não era fácil. E lembro-me bem de, no comboio de Viena para Praga, sermos revistados de cima abaixo na fronteira e depois aparecerem uma guardas – assim umas mulheres de dois metros de altura que pareciam lutadoras de sumo – a fazer aquela cena de olhar várias vezes para o passaporte e para a nossa cara e fazer um compasso de espera antes de dizer “tome”. Aquele suspense Hitchcockiano…

A timidez aí já tinha desaparecido?

Ia desaparecendo. Decidi a certa altura que, ou deixava de ser tímido, ou a minha vida ia ser um calvário. Arranjei uma maneira de fingir que não era eu, de me expor como se fosse um actor de uma peça e pensar que se me atirassem maçãs podres não era assim tão pessoal. Isso depois ajudou-me com os meios de comunicação e a experiência fez o resto.

Pediatra Entrevista Mário Cordeiro

 

Fonte: Jornal i