Espaço Família | O nosso 1º Filho

Cuidados ao Bebé

7 de Outubro de 2014

Mais amorosos e protetores: o que acontece no organismo dos homens depois de se tornarem pais

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Fala-se constantemente da reviravolta que ocorre no organismo da mulher durante e após a gestação: afinal, a mãe carrega o bebé no seu ventre por nove meses e, depois, ainda vive a experiência de amamentá-lo. Mas e os homens? Saiba que a paternidade também traz alterações na química corporal deles. Seja a produção de certos hormônios ou a modificação na estrutura do cérebro, tudo é programado para que os laços com a criança e com a mãe sejam estreitados. O novo pai aprende que tem uma nova posição no mundo: irá cuidar de um outro ser e amá-lo assim que o conhecer.

A partir do fim da gestação até os primeiros meses de vida da criança, uma substância chamada ocitocina será produzida e libertada em maior quantidade no organismo masculino. E é isso que fortalece, desde o início, o vínculo do pai com o bebé. O comportamento passa a ser de maior zelo e cuidado em relação ao filho. Há também o aumento de dois neurotransmissores: a serotonina e a dopamina. Parecem nomes difíceis, mas o sentido deles é brutal – são responsáveis pela sensação de bem-estar, de felicidade e de plenitude. Depois de nove meses de expectativa, o pai sentir-se-á completo ao conhecer a criança.

E quando o bebé começa a chorar, de repente? A reação do homem tende a ser mais rápida e significativa depois da paternidade. Isso porque há mudanças na estrutura do cérebro que deixam os cinco sentidos (olfato, paladar, audição, tato e visão) aguçados. “O novo pai fica mais atento a tudo o que ocorre ao redor de sua família. Assim que detecta o que é potencialmente nocivo para a criança, já elabora uma resposta rápida para defendê-la”, explica Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp (SP). A produção de testosterona, por exemplo, passa a variar mais depois da mulher dar à luz. Quando o homem está numa situação que julga perigosa, a libertação da hormona dispara, para que esteja preparado e proteja a sua “cria”. Mas, quando está em casa, segurando o filho calmamente no colo, a testosterona reduz-se e o pai fica menos agressivo e mais próximo à criança.

Há ainda uma alteração no sistema límbico, uma parte do cérebro relacionada às emoções: a tendência é que o homem fique sensível. Em casos extremos, essa ternura se exacerba a tal ponto que há o crescimento do tecido mamário e a produção de uma substância líquida na glândula da região, como se o homem fosse amamentar. Claro que, nessa situação, é preciso procurar ajuda médica – há um distúrbio da hipófise, glândula que pode provocar a alteração da prolactina (hormona que, nas mulheres, auxilia na produção do leite). É uma patologia chamada de pseudociese, ou “falsa gravidez”.

Juntos

É importante saber que todas as mudanças no organismo masculino dependem do grau de envolvimento do pai com o bebé. “A convivência é essencial. Compartilhar experiências e passar momentos juntos são atos importantes para reforçar o vínculo familiar”, diz Monezi. Dar a papa, ajudar na hora do banho e conversar colocando-se na altura dos olhos do filho são pequenos gestos, mas que ajudarão na construção do sentimento de aproximação. Mais para frente, demonstrar interesse pelo que ocorre na escola e nas atividades de lazer também são exemplos de boa convivência.

Mas e se o pai não morar na mesma casa que o bebé? Não se preocupe. Basta sempre ter o cuidado de tornar cada momento em que passarem juntos como algo intenso e especial. É preciso trocar a palavra “quantidade” por “qualidade”. Pode ficar mais próximo da criança, mesmo se a frequência de visitas não for tão grande quanto a que deseja. E não podemos desprezar os benefícios da tecnologia: os telemóveis, o Skype e as redes sociais permitem que pai e filho conversem, troquem fotos, gravem mensagens de voz e até joguem à distância. Monezi aconselha: “Faça um resgate da infância e torne-se criança também na hora da brincadeira. Isso reforça o vínculo com a família e com a própria vida”.

Fonte | Revista Crescer