Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

3 de Fevereiro de 2015

“Mães e filhas adolescentes – quando algo estranho acontece”

mães e filhas adolescentes

“Não percebo a minha filha. Não fala comigo, já não me conta nada.

Já tentei fazer tudo, parece que cada dia é pior.

Às vezes parece que cada palavra que eu lhe digo a irrita.

Eramos tão amigas…”

A entrada na adolescência revela-nos, muitas vezes, este afastamento entre mães e filhas.

Muitas vezes nos chega este discurso por parte das mães, e não menos vezes nos é quase replicado pelas filhas.

“Não me apetece estar sempre com a minha mãe, como antes. Não sei porquê, mas não me apetece!

Está sempre a ralhar comigo, ou então não me diz nada. Estou ali mas é como se estivesse sozinha.

Nós éramos amigas. Fazíamos coisas juntas. Gostávamos de passear juntas…

Sabes, no outro dia percebi que não sou como a minha mãe gostava que eu fosse…”

Se pensarmos na adolescência como o período de desenvolvimento em que o processo de autonomização é mais evidente, surgem-nos algumas questões importantes.

Para algumas adolescentes, há um momento em que descobrir a sua forma de estar no mundo implica a ideia de que precisam de ser diferentes das suas mães. Então, reagem por oposição, rejeitando ideias, opiniões, e sugestões. É como se para crescerem, precisassem de ser diferentes. E mais que isso, de espelhar essa diferença em todas as suas atitudes.

Talvez seja difícil perceber este comportamento. E talvez gere em algumas mães uma tendência de aproximação (que algumas adolescentes sentem como excessiva), e logo depois a frustração e a zanga por não terem sido compreendidas.

As questões relacionais entre mães e filhas adolescentes são, sem dúvida, extremamente delicadas. Geralmente, há tristeza e zanga, sentimento de injustiça e incompreensão. Mas há também amor de ambas as partes, ainda que muito escondido.

Talvez o primeiro movimento a fazer numa destas fases mais complicadas da relação entre mães e filhas consista, precisamente, em parar e perceber a sua natureza.

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Inês Carvalho

Psicóloga Clínica da equipa infanto-juvenil da Mindkiddo – Oficina de Psicologia