Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

Mães como nós

Post Exclusivo

Só quando nasceu a minha filha mais velha é que percebi que espécie de cumplicidade era aquela que havia entre as mães. Até então, achava que os grupinhos de mães eram uma coisa surreal: um bando de mulheres que só falava de fraldas, de papas, de birras, de escolas e das conquistas dos respectivos filhos. Achava aquilo de uma chatice imensa.
Até que me tornei mãe e percebi que aquilo não era mais do que uma gigantesca rede de apoio. Isto é, obviamente, o lado positivo da coisa – porque há muita competitividade, parece que há implícito um “concurso” de melhor mãe e de filho mais esperto/bonito/habilidoso, mas não é deste lado que falo hoje.
Quando uma mãe tem dúvidas, o mais certo é que outras mães já tenham tido exactamente as mesmas dúvidas antes. Às vezes são coisas mínimas, sem importância, mas que numa primeira maternidade fazem toda a diferença. Claro que é fundamental ter no pediatra o melhor amigo para esta fase, mas nada impede de perguntar às amigas-mães o que fizeram em determinada situação ou se os filhos delas alguma vez passaram por determinada coisa.
Depois, é muito fácil entrosarmo-nos com alguém que passa pelo mesmo que nós, que vive o mesmo, que está na mesma fase. Eu tenho muitas amigas que não têm filhos e, com excepção da minha melhor amiga, a vida encarregou-se de criar uma certa distância entre nós: não somos menos amigas, não gostamos menos umas das outras, mas a minha disponibilidade (física e mental) não é a mesma de quando não tinha filhos: já não posso sair à noite sempre que me dá na telha, não posso não aparecer em casa para jantar porque fiquei a lanchar/jantar com as amigas. Ou antes, poder até posso, mas é coisa que requer uma logística imensa porque, quer se queira, quer não, tenho duas pessoas pequeninas que dependem de mim e que precisam que eu assegure algumas necessidades básicas.
Em paralelo, tenho um grupo de amigas-mães que estão lá para todas as horas. Rimos juntas, choramos juntas e estamos completamente à vontade para pedir ajuda para o mais diverso tipo de situações com que nos vamos deparando. Por exemplo, este verão o meu filho teve uma infecção que eu nunca tinha visto nem fazia ideia do que era e foi a elas que recorri na hora. Fotografei a área onde estava a infecção, mostrei-lhes, perguntei se faziam ideia do que aquilo poderia ser. Duas delas já tinham passado pelo mesmo com os filhos e isso sossegou-me imenso. Quando cheguei ao hospital já sabia mais ou menos ao que ia e estava muito menos preocupada do que estaria se não tivesse tido ninguém a dizer-me que, pela aparência, não era nada muito complicado. Confirmou-se, resolveu-se e ei fiquei-lhes grata pelo apoio.
Este não é daqueles grupos em que há corridas de mães. Não comparamos feitos das crianças, não tentamos subir ao pódio de melhor mãe do mundo, deixando as outras lá em baixo, longe dos lugares cimeiros. Simplesmente não acontece. Porque, mais do que mães, somos amigas, respeitamo-nos enquanto pessoas e a maternidade é só mais uma das coisas que temos em comum. Foi, de certa forma o que nos uniu e é aquilo por que agradecemos todos os dias. E, perante o que acontece com este grupo de amigas, digo-vos: gostava que todas as mães tivesse um grupo de amigas assim, onde se sentissem apoiadas, onde não fossem julgadas. É importante ter ao nosso lado pessoas em quem confiamos e com quem podemos conversar, uma espécie de pequeno oásis no meio do vórtice que é a nossa vida. Este meu oásis é isso mesmo: um paraíso!

 

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