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Nutrição

9 de Maio de 2014

Mãe aos 30

Tenho amigas que dizem que “desde sempre” sonham ser mães. Tenho amigas que dizem que “um dia” querem ser mães. Também tenho aquelas que dizem que “um dia” pensam nisso.

Um dia…depois dos 30.

Agora que já chegámos aos trinta, vamos adiando o mais que pudermos. “Daqui a 5 / 6 anos no máximo trato disso. Até porque mais tarde do que isso não pode ser…”

Hoje em dia, a grande maioria das mulheres já não cresce com o sonho de casar e ter filhos. Cada vez mais o sonho é ter uma carreira fantástica e viajar muito. Viver a vida primeiro e depois assentar e ter filhos. A grande maioria adia a maternidade até esta altura.

Mas quando se decide ser mãe na casa dos “intas” isso é uma coisa boa ou má?

Ter um filho nesta altura da vida tem as suas vantagens. Vamos analisar por pontos o lado positivo de se engravidar nesta fase:

– Obviamente não podemos generalizar, para mais nos tempos que vivemos, mas normalmente, a partir dos 30 ou 35 anos, a mãe está numa melhor situação financeira.

– Os trinta podem ser uma segurança para a mãe pois ela já sabe que o que é que a espera, nem que seja pelas histórias das amigas. Já sabem o que implica ter um bebé em casa.

– A mãe tem a certeza do que quer, o filho é desejado e querido.

– Nesta altura não se vêem os cuidados do bebé como um sacrifício mas sim como uma compensação.

– O casal tem uma relação mais equilibrada sendo que se sentem mais seguros para enfrentar a educação de uma criança.

– A mulher, nesta fase mais madura, já não terá a sensação de que ter um bebé a está a impedir de desenvolver outras fases da sua vida ou de que o bebé atrapalhou os seus sonhos e vontades.

Mas há obviamente coisas menos boas quando se decide adiar um filho para esta altura.

Para além de a mulher ser sujeita a exames e a um controlo pré-natal mais rígidos, para prevenir e detectar possíveis problemas associados à idade avançada da mãe, o que não pode ser de todo ignorado são os riscos de saúde que, tanto na mulher como no bebé, aumentam com o avançar da idade da futura mamã.

Existe o risco de malformações congénitas no bebé, sendo o Síndrome de Down um dos casos mais comuns depois desta idade. Até aos 25 anos de idade, uma em cada 1.250 mulheres pode ter um bebé com Síndrome de Down mas aos 35 anos de idade a probabilidade passa a ser de uma em cada 400 mulheres.

O risco de aborto também aumenta. Dos 35 aos 39 anos de idade, o risco de aborto é de mais de 20% do que na casa dos vinte. A realidade é que uma mulher com 30 tem maior probabilidade de ter mais complicações na gravidez do que uma mulher mais nova. Algumas complicações comuns são:
– diabetes gestacional,
– problemas com a placenta,
– parto prematuro,
– pressão sanguínea elevada.

Para reduzir estes riscos e para se preparar para os próximos nove meses, a palavra chave é prevenção. Por isso, antes de engravidar peça ao seu médico para fazer um check-up à sua saúde.

Comece a gravidez com um peso saudável: nem muito nem pouco peso.

Tenha uma alimentação equilibrada e saudável que inclua uma grande variedade de vitaminas e sais minerais, dando especial atenção ao ácido fólico. Inclua na sua ementa os cereais integrais (aveia, centeio, quinoa, etc.), os iogurtes e derivados magros, verduras e hortaliças, privilegiando os vegetais de folha verde, não se esqueça das leguminosas (feijão, grão, lentilhas, etc.), de incluir nas principais refeições as proteínas magras (peixe, carne, ovo), frutas e sumos naturais: laranja e outras frutas ricas em vitaminas.

Não beba álcool, não use drogas nem fume.

E não esquecer que muitas vezes, quando se tem um primeiro filho com idade superior a 35 anos, a tendência é que este bebé seja filho único, ou então, que aconteçam gravidezes rápidas para aproveitar os anos férteis, o que se pode tornar num pesadelo para uma mulher que queira ter mais filhos.

Mas apesar de todas estas vantagens e desvantagens, o mais importante a ter em conta quando se decide ter um filho é que este deve ser uma vontade. Deve ser feito com gosto, como diz a canção. Deve ser uma escolha toda ela feita com o coração. Quando chega a hora, o que importa mesmo é o amor e a dedicação que temos para dar ao bebé.

E aos trinta, quando tomamos uma decisão, tomamo-la com toda a convicção.

Dra. Iara Rodrigues

Nutricionista