Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

4 de Junho de 2015

Luto nas crianças: como reconhecer e ajudar?

luto

O luto não é uma experiência exclusiva dos adultos. Inevitavelmente, as crianças vivem também processos de luto. O primeiro confronto com estas emoções surge quando morre o peixinho… No entanto, quando a perda se trata de um pai, amigo, avô, irmão, o sofrimento da própria criança e de quem está à sua volta, leva a que surjam as primeiras questões:

– O que é a morte?

– O que o fez morrer?

– Para onde foi?

– Vai voltar?

Normalmente, os adultos qua estão igualmente a vivenciar o efeito da perda, ficam desorientados com estas questões, mas o mais importante é responder sempre com a verdade, prevenindo que a criança fantasie as respostas, numa tentativa de perceber o que está a acontecer tanto em si, como à sua volta.

Sarinha, quatro anos, perdeu a maninha de 3 meses de morte súbita. Os pais tentaram explicar-lhe o melhor possível, o que tinha acontecido, mas, também eles, não conseguiam encontrar explicações para tal acontecimento. E, precisamente na altura em que estes pais precisavam que a Sarinha continuasse a ser a menina adorável e bem comportada que sempre foi, ela começa a ter manifestações comportamentais desadequados, com os pais, avós e na escolinha. Convictos que sozinhos não conseguiam, recorreram à terapia, onde, foi possível perceber que a Sarinha só queria levar a mantinha à mana porque achava que ela podia ter frio.

Claramente, esta criança não conseguia dizer aos pais que era isto que precisava de fazer para se sentir melhor. As crianças mais pequenas são extremamente imaginativas e não conseguem conceber a morte como algo definitivo. Não tendo a noção do “amanhã”, “ para a semana”, a sua dificuldade passa por não perceber porque o ente querido não regressa.

Então o que fazer, e não fazer, para ajudar uma criança a perceber a irreversibilidade da perda?

Evitar explicações como:

– “Foi para o Céu”

– “Não te preocupes que ele só está a dormir”

– “Foi fazer uma viagem”

– “Está no Jesus”

– “ O Jesus precisa de pessoas boas lá no Céu”.

Ainda que bem-intencionadas, estas explicações promovem insegurança e dúvidas na criança, já que, “se está só a dormir, então eu não quero ir dormir”, ou, “se a minha mãe é boa também vai morrer”…

Sem forçar, as melhores explicações devem ser dadas apenas quando solicitadas pelas crianças e sempre com a verdade, ou seja, à medida que vão surgindo as questões, a disponibilidade dos adultos deve ser total, para ir respondendo sempre e sempre até que se esgotem as incertezas na criança.

Optar por:

– De forma simples, explicar o que aconteceu.

– Permitir, caso se verifique esta vontade, a presença da criança nos rituais de despedida.

– Manter o mais possível as rotinas habituais

– Ter em atenção as mudanças no comportamento

– Procurar ajuda especializada

– “ a culpa não é tua“

– “é normal sentir saudade”

– “não evitar o choro”

– “não faz mal estar triste”

Não é possível proteger as crianças do luto numa família enlutada, mas é aconselhável dar-lhes apoio na sua dor e ajudá-las a entender tranquilamente que o ente querido não vai voltar, que não faz mal fazer perguntas, que não faz mal estar triste, e sentir saudades.

Uma criança sabe fazer perguntas às quais nem um sábio sabe responder

Paula Nunes | Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

Oficina da psicologia LOGO