Mães e pais na 1ª pessoa

22 de Abril de 2013

‘It takes a village to raise a child’ ou o oxigénio dos pais

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Em todos os meus workshops sobre parentalidade positiva, o tema com que início não é ‘O que é a parentalidade positiva’. Nop!

E porquê? Porque antes disso, há uma coisa muito mais importante a fazer! E qual é ela?

É dar oxigénio aos pais! Pois é, é tal e qual como viajar de avião: primeiro coloco a minha máscara de oxigénio e só depois a coloco nos little ones.

Quando pergunto aos participantes das minhas acções qual é a maior fonte de felicidade, as respostas alternam entre ‘os filhos’, ‘o casamento’, ‘a saúde’ e até ‘o dinheiro’. Todas elas são fontes inequívocas de felicidade mas não há nada mais importante que os amigos e as relações que estabelecemos uns com os outros.
Na verdade, todos os estudos provam que as pessoas mais felizes são aquelas que têm um bom grupo de amigos (não disse grande, atenção!)

Os americanos dizem ‘it takes a village to raise a child’ (é preciso uma aldeia para criar uma criança). Mas quantos de nós temos amigos em quem podemos, de facto, confiar e confiar os nossos filhos? Quantos de nós vivemos junto dos nossos pais que se podem dedicar, a tempo inteiro, aos nossos filhos?
A boa notícia é que nossa ‘tribo’ pode ser constituída pela família que escolhemos, outra que a família de sangue. A questão que se impõe então é ‘E essa ‘tribo’ é de confiança?

Quando escrevi o post ‘3 requisitos para se exercer a parentalidade positiva’, falei da necessidade que (sobretudo) as mães têm em se livrarem da culpa e terem tempo de qualidade para elas próprias. Ladies and gentlemen, não há segredos: a primeira regra da parentalidade positiva é mesmo ‘Pais felizes = filhos felizes’

E para terem este tempo de qualidade, onde investem nelas, nos seus relacionamentos e na sua auto-estima precisam de contar com a sua ‘tribo’. Até porque se eu quero que os meus filhos sejam adultos felizes e se eu sei que o ingrediente que me traz parte dessa felicidade são as relações que eu tenho, então eu própria quero dar o exemplo e cultivar as minhas próprias relações, certo?
Na verdade, a forma como as crianças estabelecem e mantêm as relações com os seus próprios amigos tem um impacto significativo na sua infância e na forma como vão estabelecer essas relações, quando forem adultos. O Daniel Goleman, no livro ‘Inteligência Emocional’ sublinha o facto de as pessoas desabrocharem com os amigos que têm (é lógico que não estou a falar de amizades tóxicas – essas não servem para nada e só têm um destino: o caixote do lixo! Yep, sem culpa, sem stresses! Lixo com elas!). Mas sim, são os nossos grandes amigos que sabem escutar-nos, que nos ligam e enviam sms a saberem se estamos bem e se precisamos de algo mais. É lógico que não falo das relações superficiais (e até animadas) que mantemos com os nossos ‘amigos’ do facebook ou do twitter. Costumo dizer que estas duas plataformas se assemelham a um grande ‘café virtual’ onde está muita gente e onde há festa e novidades todos os dias. Mas quando a festa é em nossa casa, as pessoas que convidamos podem bem ser outras…!

Voltando à tua ‘tribo’: é com ela que os teus filhos vão sentir-se também em segurança. É participando nela que vão aprender o que é a tolerância, a rirem e a serem amados por outros que não os pais, como é ter de se afirmarem, como é aprenderem a aceitar ideias novas. É nela que poderão desenvolver a empatia, a resolverem conflitos, a saberem o valor da generosidade e é nela que compreenderão a importância da amizade.  Porque quanto mais desenvolvem a sua inteligência social e emocional, mais generosos se tornam (é a tal ‘pescadinha de rabo-na-boca’).

Portanto, se tens gente que pode contar contigo e com quem tu podes contar, tens a tua garrafa de oxigénio para os casos de emergência e para os casos de sanidade mental. A sério, trata de ti, sem culpas. Segue a tua intuição, junta-te a pessoas não tóxicas (lixo com as outras!) e faz a tua vida.

E sim, a tua felicidade importa! A tua e a de toda a gente. E não, não é uma coisa secundária! Orgulha-te disso, de tratares de ti e de fazeres por isso. Porque já sabemos ‘se eu não cuidar de mim…’ (tu sabes o resto da frase!)…

O Tal Ben-Shahar e todos os que estudam estes temas são unânimes: numa sociedade onde se hipervalorizam os resultados, a felicidade aparece como uma vantagem enorme. E porquê? Porque as pessoas que são felizes têm mais sucesso. Porque as pessoas felizes atraem mais gente e mais gente quer estar junto dessas pessoas que são felizes. Queres mais motivos? Porque pessoas felizes vivem mais tempo, e são mais saudáveis. São mais criativas. Não são auto-comiseras. Têm muitas mais emoções positivas. Ganham mais dinheiro. Estão mais disponíveis para os outros. Fazem o bem. São desencucadas.

E não, não tens de te envergonhar em querer ser feliz. Aliás, este é um assunto demasiado sério para se andar a brincar com ele. Eu sei que a coisa mais importante que eu posso ensinar aos meus filhos é mesmo como serem mais felizes. E, como em tudo na educação, eu dou o exemplo. Se ando sempre feliz? Claro que não! Mas quero acreditar que a forma como aprendo a lidar com as situações, a minha crescente resiliência, optimismo e gratidão (e a forma como vivo tudo isso) são suficientes para modelar estes comportamentos neles. Até porque, como alguém disse, não há nenhuma forma de ser uma mãe perfeita e mil maneiras de ser uma boa mãe!

http://mumstheboss.blogspot.pt/
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