Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

21 de Abril de 2013

Isto não é chapa 5!

Hoje fui lanchar com a R. Somos amigas inseparáveis desde o liceu. Estivemos grávidas na mesma altura e foi o melhor que me podia ter acontecido…  Os nossos filhotes têm apenas um mês de diferença! Hoje contou-me que o D. já começou a andar… fiquei feliz e…preocupada porque a M.  está com 15 meses e ainda não se “ aventura” sem estar agarrada aos móveis. Será normal?

Para aqueles que adoram comparar o desenvolvimento dos filhos com o de outras crianças, um aviso: Isto não é tudo chapa 5! o ritmo do desenvolvimento varia de criança para criança, ou seja, um bebé pode começar a andar aos 10 meses e outro aos 15 meses, sem que o primeiro seja o supra-sumo da inteligência e o segundo, um atrasadinho.
Existem poucas verdades a respeito do ritmo desta evolução. Sabe-se, por exemplo, que as meninas desenvolvem-se mais rápido do que os meninos. Andam e falam mais cedo. Mas é importante não confundir velocidade com inteligência. Sentar, andar ou correr mais cedo não é sinal de inteligência acima da média, pois a velocidade e a forma de crescimento representam simplesmente a aliança entre uma herança genética e a influência do meio-ambiente. Temos cinco dedos numa mão e nenhum é igual, assim como não existem duas crianças iguais, nem no padrão de desenvolvimento. Portanto, qualquer tabela ou livro devem ser vistos como guias de orientação e não como ditados ou verdades absolutas.

Ainda assim, muitos pais forçam os filhos para que estes passem etapas do desenvolvimento, como por exemplo, os que compram um triciclo para uma criança com 1 ano de idade, quando ela só está preparada para pedalar a partir dos 2 anos e meio. E, porque é giro dizer à vizinha, à tia, ao primo, às mães do infantário e ao mudo inteiro que, por acaso também têm filhos da mesma idade, “aiii… o joãozinho está muuuuito crescido e é um espertalhão, porque já começou a andar!!”

O treino precoce pode gerar ansiedade e até problemas emocionais. Além disso, a criança não está preparada nem física nem psicologicamente para tal tarefa. O desenvolvimento é uma sequência cuidadosamente planeada e que se deve respeitar. Um recém-nascido nasce com uma certa rigidez muscular, fruto do tempo em que ficou encolhido na barriga da mãe. Aos poucos, a rigidez vai desaparecendo e ele ganha flexibilidade e força para algumas actividades, tais como, balançar os braços, rolar e sentar, e mais tarde outras como o virar as folhas de um livro e desenhar. Antecipar qualquer um desses progressos não será útil para a criança. O mesmo acontece com o andar, primeiro o bebé sustenta a cabeça, depois senta-se. Com força, tanto nos braços como nas pernas, começa a gatinhar, a ficar de pé, depois dá uns passos e, por fim, anda. Se os pais procurarem antecipar esse momento, seja através dos andarilhos, seja por meio de estímulos verbais, a criança pode mesmo começar a andar mas, tanto a musculatura como a sua estrutura emocional podem não estar ainda preparadas. Resultado?! uma série de quedas e tombos que vão deixá-la insegura para futuras explorações, para não falar de outros problemas.
Por isso deixem-se de comparações, ansiedades, estímulos em excesso, etc, etc… porque o josézito vai crescer tão, ou mais, saudável, que o joãozinho

Drª Olga Reis
Psicóloga clínica
oreivainu.blogspot.pt