Atualidade

9 de Dezembro de 2013

Hormona do amor ajuda cérebro autista

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A «hormona do amor» oxitocina altera a atividade cerebral de crianças com autismo e torna-as mais sociáveis, de acordo com investigadores americanos.

 

O papel da hormona ocitocina, conhecida como «hormona do amor», na ajuda a crianças com autismo tem sido debatido, com estudos a mostrarem dados contraditórios.Tomografias cerebrais, relatadas na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugerem que há um efeito positivo.

A oxitocina é produzida naturalmente pelo organismo, desencadeia o trabalho de parto e está envolvida na vinculação mãe-bebé.

Foram administrados a 17 crianças com autismo, com idades compreendidas entre os oito e os 16 anos, dois sprays nasais – um contendo oxitocina e ou outro sem qualquer medicamento.

Depois de tomar cada um, o impacto sobre a atividade cerebral foi gravado num scanner ao mesmo tempo que eram mostradas às crianças fotografias «sociais» de rostos humanos ou fotografias «não sociais» de automóveis.

As zonas do cérebro normalmente associadas a situações sociais apareceram mais ativas depois de as crianças terem inalado oxitocina.

«Emocionante»
Kevin Pelphrey, um dos investigadores, declarou em comunicado que «Estamos muito animados com os resultados, já que todas as 17 crianças mostraram uma resposta, apesar de a resposta ser variável. Ainda há muitas interrogações sobre a oxitocina, mas isto sugere que melhora as funções cerebrais sociais e reduz as funções não sociais – ajudando as crianças a concentrarem-se em informações socialmente relevantes.»

Já estão a decorrer ensaios com um maior número de participantes para ver que efeitos secundários e benefícios pode ter a ocitocina em crianças com autismo. A forma como o medicamento deve ser usado ainda está em debate, com algumas sugestões que seria melhor usado como uma ajuda durante a terapia e não como medicação diária.

O investigador Kevin Pelphrey afirma que alguns pais decidiram dar o medicamento aos filhos sem aconselhamento médico e que esta foi uma «péssima ideia», já que «pode não ter nenhum efeito ou pode causar danos». No entanto, acrescenta que «A descoberta mais interessante não é a oxitocina, mas sim que um composto pode mostrar alterações no cérebro. Isto muda a forma como pensamos o autismo e quão tratável poderá ser.»

Carol Povey, diretora do Centro Para o Autismo da National Autistic Society (Reino Unido), lida diariamente com o autismo e afirma que «A investigação que estuda o impacto que a ocitocina pode ter nas pessoas com autismo ainda está nos seus estádios iniciais. Embora os resultados deste estudo em particular sejam interessantes, não devem ser tiradas conclusões rápidas e definitivas.»

«O autismo é uma deficiência muito complexa e pode apresentar uma variedade de desafios que vão além de dificuldades sociais. É fundamental que as pessoas que vivem com a doença tenham todas as suas necessidades avaliadas para que possam ter acesso ao apoio apropriado», conclui Carol Povey.

Fonte: BBC News