Espaço Família | O nosso 1º Filho

Cuidados Pós- Parto

20 de Maio de 2013

Hoje fomos para casa

Hoje tivemos alta! Finalmente, ao fim de 2 dias a ser mimados no hospital por todos os que lá trabalham, fomos para casa e ficámos entregues a nós próprios!
Quando entrámos em casa sentimos um grande orgulho por termos conseguido, mas demos por nós a pensar: será que vamos conseguir? Será que vamos estar à altura? Como será que nos vamos sair? São perguntas comuns a todos os casais nosso amigos!
Só agora é que demos conta que é depois da alta hospitalar que a vida realmente começa! No hospital nós tivemos a ajuda das enfermeiras para qualquer coisa que precisássemos, agora somos só nós e o bebé.

É um pouco assustador olhar para aquele bebé tão frágil e pequeno, dependente de nós para tudo. A acompanhar estes nossos receios e dúvidas vem a incerteza de sermos capaz de atender o nosso bebé quando ele chorar, quando ele necessitar de nós. Por vezes sinto-me tão assustada que penso que não estou à altura! Porque me sinto assim, quando este momento foi tão esperado, planeado e programado? Porque me sinto tão exausta e ao mesmo tempo tão feliz, tão insegura e ao mesmo tempo tão especial? Porque tenho vontade de chorar cada vez que me vejo ao espelho e não me vejo igual ao que era antes da gravidez? Porque ainda tenho saudades dos pontapés, dos enjoos e da minha barriga?
A juntar tudo isto, chegámos e tínhamos a casa cheia de gente à espera com uma festa surpresa… E eu que só quero ir para a cama!
A drª Carla já nos tinha dito que o nascimento de um filho pode vir acompanhado de alegria e exaustão ao mesmo tempo. Pouco depois do parto muitas mulheres passam por um período de melancolia, tristeza e fortes alterações de humor, também conhecido como “blues pós parto”. Estas alterações estão associadas a mudanças hormonais que acontecem três ou quatro dias depois do parto, altura em que as hormonas da gavidez desaparecem e a produção de leite se inicia. Além disso, há um certo “anticlímax” físico e emocional que se segue ao parto, acompanhado do regresso a casa e de uma sensação de incerteza sobre o que vem pela frente.
O João já antecipou tudo isto, e tem-me mimado muito! Ele diz-me com frequência que o que estou a sentir é absolutamente normal, tal como é normal sentir-me sobrecarregada, exausta e insegura com algo que é totalmente novo. Tem sido muito paciente comigo e sobretudo um ombro e um braço amigo.
Além deste apoio emocional, ele tem sido exímio na gestão das visitas. Volta e meia temos a casa cheia de gente, com as minhas amigas e familiares a dizer-me como amamentar, como tratar do bebé, como fazer isto ou aquilo, sim, porque elas, que já foram mães várias vezes, têm sempre um conselho e uma palavra a dar-nos! E tudo isto só me tem deixado ainda mais irritada e insegura.
Podem chamar-me antipática, anti social, mas sinto que algumas visitas são mesmo incovenientes e dispensáveis! Sei que todos os que nos visitam têm a intenção de prestigiar a chegada do nosso bebé, e querem comemorar connosco o seu nascimento, e que também estão felizes, mas a maioria não se sabe comportar numa visita a um recém-nascido: temos que lhes fazer companhia, e muitos acham que é a nossa obrigação servir alguma coisa para comerem. Esta seria mesmo a última coisa que me iria passar pela cabeça…
Por isso, hoje, o João estabeleceu as seguintes regras para as visitas e afixou-as à porta de casa:
Deveres das visitas a esta casa:
•    Ligue sempre antecipadamente a avisar da sua visita;
•    Não interfira com a “rotina” do bebé, se ele estiver a dormir, não será acordado para que lhe possam pegar ao colo;
•    Mantenha as visitas curtas, a mãe vai precisar de muito descanso!
•    Lave sempre as mãos antes de pegar no bebé. É apenas uma questão de higiene;
•    Não dê palpites, por favor! A sua experiência de mãe poderá não ajudar a recém mãe, pois cada mãe sabe qual a melhor forma de lidar com o seu filho. Utilize apenas palavras de incentivo;
•    Não tente ver a mãe a amamentar, faça-o apenas se for solicitada;
•    Resista à tentação de pegar no bebé ao colo;
•    Não visite o bebé se se encontrar doente; O bebé ainda não tem imunidade suficiente para se proteger.
•    Tire fotografias apenas com consentimento dos pais, não utilize flash.
Como será que vão reagir quando lerem estas regras na porta de casa? Esta é talvez a parte mais complicada! É muito importante estarmos muito cúmplices. O João pensa muito no nosso bem-estar e sempre que possível, tenta poupar-nos a alguns stresses. Quando se trata da família dele, vai ser ele a impor as regras, e o mesmo vou fazer eu! A família sente-se no direito de ver o bebé, mas acredito que quando perceberem que colocamos em prática estas regras a todas as visitas, eles irão entender!
Ainda em relação às visitas, lembro-me que a enfermeira falou no “dia dos avós” em sugestões para os avós ajudarem os recém papás. Coisas práticas e de muita utilidade (especialmente nestes primeiros dias, em que a preocupação é muita, e o tempo é pouco), poderão ajudar:
•    trazerem refeições para congelar ou para o próprio dia e deixar alguns conjuntos de pratos e talheres plásticos, para simplificar a limpeza destes materiais;
•    ajudarem na limpeza doméstica ou no tratamento da roupa do bebé e do casal;
•    despenderem algum tempo com o neto para que os pais possam descansar;
Assim, a visita será maravilhosa! Receber o carinho dos amigos é muito bom, mas só cá para nós, bom senso é bom e todos gostam!
cpp