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Cuidados a ter no Pré-Parto

20 de Maio de 2013

Hoje começámos o nosso plano de parto

Estamos de 32 semanas. A data do parto aproxima-se e temos pensado com mais frequência neste momento. Já planeámos a visita à maternidade e já terminámos o curso de preparação para o parto, mas para estarmos completamente seguros em relação às nossas escolhas, começámos a planear o nosso parto. O objectivo é organizarmos na nossa cabeça o que gostaríamos que acontecesse nesse momento único da nossa vida, desenvolver as estratégias necessárias para conseguirmos concretizar o nosso parto “ideal” e adaptarmos as nossas necessidades à instituição que escolhemos para ter o nosso bebé. Será um bom ponto de partida para as perguntas a fazer na visita à maternidade, que já se encontra agendada para as 36 semanas.

O Plano de Parto é uma carta ou uma simples lista onde consta tudo o que um casal gostaria ou não gostaria que acontecesse no seu parto. Mais do que um documento, constitui uma forma de se entrar em contacto com a equipa, com as normas, rotinas e procedimentos normalmente relacionados com o nascimento, e sobretudo de participar nas decisões que envolvem o bem estar do casal e do bebé, ou seja, é uma forma de termos uma participação consciente em todo o processo. Neste documento cabe tudo o que um casal achar importante, no entanto, deverá se um texto curto e conciso, para que a mensagem seja clara e acessível. Não deverá, no entanto constituir uma lista de ordens, já que todos os partos são imprevisíveis e podem tomar rumos que obrigam, literalmente, a uma mudança de planos.
O 1º passo foi escolher a maternidade onde pretendemos que decorra o parto, e tomar conhecimento sobre quais as condutas seguidas pelos profissionais de saúde e se estas correspondem aos nossos desejos.
O 2º passo foi ter conhecimento sobre quais são as recomendações da Organização Mundial de Saúde no atendimento do parto normal. Este documento fala sobre uma série de rotinas hospitalares que não devem ser aplicadas por norma a todas as mulheres em trabalho de parto. Ajuda-nos a perceber efectivamente o que nos poderá acontecer numa maternidade, e como gerir essas rotinas hospitalares.
O 3º passo foi fazer uma reflexão em conjunto sobre as rotinas e as preferências sobre o parto. Este é um exercício que nos poderá ajudar a definir aquilo que é importante para ambos, e com esta informação em mãos, estarmos mais preparados para conversar com o nosso médico assistente. Não se trata, portanto, de uma lista de ordens, mas de um ponto de partida para a conversa.
O 4º passo será realizar o plano de parto propriamente dito. Poderá ser determinante para que o parto constitua uma experiência mais intensa e enriquecedora para nós. É dividido em 3 partes: durante o trabalho de parto, durante o parto e no pós-parto.
Esta é uma versão resumida do nosso plano de parto:
Durante o trabalho de parto, gostaria de poder realizar os seguintes procedimentos:
1.    permanência da presença do meu marido, João Castelar.
2.    não ter perfusão contínua de soro; gostaria de ter apenas o acesso venoso fechado para ser usado em caso de necessidade.
3.    poder ingerir líquidos como água ou chás açucarados.
4.    poder ter liberdade de movimentos e de posição.
5.    poder ter liberdade para o uso do chuveiro, bola suiça e de outras estratégias naturais de alívio da dor.
6.    monitorização fetal com posibilidade em deambular.
7.    occitocina apenas quando houver necessidade.
8.    gostaria de um ambiente especialmente calmo durante o trabalho de partos: poucos ruidos, luzes baixas e música que escolhemos para o efeito.
Durante o parto, gostaria de poder realizar os seguintes procedimentos:
1.    fazer força apenas quando tiver vontade e não de uma forma dirigida.
2.    manter posições mais verticais para os esforços expulsivos, aceito outras sugestões caso estas não funcionem.
3.    gostaria de não necessitar de uma episiotomia.
4.    gostaria poder realizar contacto pele a pele durante pelo menos 30 min após o nascimento do nosso bebé.
5.    se houver necessidade de cuidados urgentes imediatos, gostaríamos que estes fossem prestados na presença do pai.
6.    corte tardio do cordão.
Após o parto, gostaríamos de:
1.    aguardar a expulsão expontânea da placenta, de preferência com auxílio da amamentação. O bebé deverá ficar comigo o tempo todo, se não houver necessidade de cuidados imediatos.
2.    amamentação em horário livre, iniciado na 1ª hora de vida, sem a introdução de outros líquidos, tetinas ou mamilos de silicone.
3.    Alta precoce.
Agradeço a compreensão da equipe envolvida e por participarem desse momento tão importante para a nossa família.

cpp