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Saúde

13 de Abril de 2015

História da Vacinação

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A vacinação é, provavelmente, a maior conquista da civilização e da ciência.

Desde o início da história humana conhecida, que se conhece a existência de epidemias que, periodicamente dizimavam  a população de aldeias, cidades e países.

As tentativas de criar algo que protegesse da epidemia datam de há muitos séculos, mas só no final do século XVIII que um médico inglês Edward Jenner que fez uma primeira vacina que protegia os camponeses da varíola do gado. Demorou mais um século até Pasteur compreender o papel dos microorganismos na transmissão das infecções, já no final do século XIX. A vacina contra a raiva foi testada por Pasteur num rapaz mordido por um cão e que foi o primeiro a sobreviver à raiva.

No início do século XX foram desenvolvidas vacinas contra a tuberculose, difteria, o tétano e a febre amarela. Depois da segunda Guerra Mundial , a poliomietile, sarampo, papeira e rubéola passaram a poder ser prevenidas com vacina.

As campanhas de vacinação  lançadas em várias zonas do mundo permitiram a proteção contra doenças infecciosas que anteriormente mataram milhões de pessoas.

Portugal acompanhou a história da vacinação, com o Programa Nacional de Vacinação que, iniciado oficialmente em 1965, se tem vindo a actualizar com vacinas de forma adaptada á evolução da ocorrência das doenças infecciosas.

No entanto, à medida que as doenças infecciosas mais graves praticamente desapareceram, as pessoas deixaram de as temer e tornaram-se menos vigilantes.

Por este motivo, e devido ao aparecimento de novas doenças, os desafios na vacinação são enormes. À SIDA juntou-se a malária; a poliomielite ainda está presente em vários países, principalmente em países do Hemisfério Sul.

A difteria reapareceu na Europa de Leste e o sarampo voltou a ser uma fonte de preocupação das Autoridades de Saúde em toda a Europa, tendo já ocorrido mortes por sarampo na Alemanha e no Reino Unido (que se conhecem)

Nas chamadas sociedades desenvolvidas tem vindo a crescer um movimento contra a vacinação, com argumentos que vão desde a recusa da intervenção da medicina convencional até ao medo das complicações eventuais da vacina.

Muitos, ao assumir a posição de não vacinar os seus filhos estão a contar com a chamada “proteção de grupo”; esta, presente quando mais de 95% das crianças estão vacinadas, protege, de facto, algumas crianças que por algum motivo de saúde não possam ser vacinadas.

Se aumentarmos o número de crianças não vacinadas, essa proteção de grupo desaparece e estaremos face ao aumento de mortes evitáveis, podendo ser criadas condições de regresso ao passado, difíceis de controlar.

Não abdiquemos do privilégio que temos de proteger as nossas crianças, numa altura em que, em muitas zonas do globo, ainda se luta por esse privilégio.

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Cláudia Constantino  ,  Pediatra Healthy Mommy