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23 de Abril de 2014

Harold e o lápis púrpura

Também existem modas nas histórias que contamos aos miúdos, livros que em determinada época são incessantemente lidos à noite, e que depois acabam por cair no esquecimento das prateleiras. E depois há aqueles livros que nunca nos saem da memória, mesmo que os abandonemos por algum tempo, como Harold and the Purple Crayon (Harold e o Lápis Púrpura), um clássico lançado em 1955 pelo americano Crockett Johnson. O livro está escandalosamente inédito em Portugal, mas compra-se com facilidade na Amazon por cinco libras, uma ninharia para um livro desta qualidade. A ideia – como todas as grandes ideias – é a mais simples possível: Harold tem na sua mão um lápis com o qual vai criando o mundo, à medida que o utiliza. Pode ser para fazer uma estrada com dois traços, uma árvore cheia de maçãs apetitosas ou um polícia para lhe indicar o caminho. Mas, claro: como em tudo, é preciso mão firme. Basta Harold ter medo para a mão tremer e mergulhar com o lápis nas ondas do mar, ou esquecer-se de desenhar para cair desamparado no vazio. A forma como Crockett Johnson trabalha tudo isto é absolutamente admirável, tanto pela imaginação como pela simplicidade do traço e das ideias. E como é próprio das boas narrativas para crianças, do Feiticeiro de Oz a Alice no País das Maravilhas, após viver a grande aventura tudo aquilo que Harold mais quer é regressar a casa. Porque, afinal, nada é mais seguro, nem mais saboroso.
[Este texto foi escrito por João Miguel Tavares, do blogue Pais de Quatro, e faz parte de uma série de ideias que outras mães e pais vão deixando por aqui de vez em quando.]

Idades:  3-5 anos, 6-8 anos

Informação adicional: 

João Miguel Tavares é jornalista, assina colunas de opinião na imprensa e participa no Governo Sombra, na TSF e TVI. Tem quatro filhos e criou um blogue com a sua mulher a que chamou, precisamente, Pais de Quatro.

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