Mães e Pais na 1ª Pessoa

Rita Mendes 

Barriga Mendinha

Haja pachorra!

Hoje quero falar-vos de algo que já ando para abordar há uns largos meses. As birras. O mau génio. Os caprichos. Uff… a loucura que às vezes, é para as Mães e Pais  para gerir estas fases (sim, esperamos sempre que sejam fases).

Acho que, no fundo, não o tinho feito ainda, porque como não é um tema lá muito feliz e que como me tem feito a “cabeça em água”, tinha quase a sensação de que se não o exteriorizasse aqui… a questão desapareceria assim como por magia…Pronto tinham sido uns “episódios e tal e agora já estava tudo ok de novo.

Mas, pronto, cá estou eu, porque.. passados uns bons mesinhos da personalidade vincada e “tortinha” da Matilde Estrela se ter começado a desenvolver …  consigo escrever finalmente sobre a questão… mas porque até aqui não tinha muito o que dizer a não ser que andava desesperada com ela. Agora faço-o, porque estou mais calma e calejada com o assunto.. Que remédio lol…

Com todo este discurso aqui exposto, até parece que estou a criar um ser perigoso, monstruoso, impossívelde aturar.. nada disso tadinha, não exageremos, ok?…Mas que às vezes não há paciência… não há mesmo..

O que se passa então aqui por casa e imagino que em tantas outras? Tenho como filha uma princesa linda de quase 2 anos, querida, meiguinha, espertalhona.. mas muito teimosa, exigente para com os pais, ciúmenta com o irmão, cheia de amuos e… caprichosa até à última. E gerir isso, como é, como tem sido? Esta é a questão que trago hoje. Aliás, a que tenho levantado estes últimos meses e tentando como posso, gerir da melhor maneira. Principalmente por ser uma “novidade” nestas bandas. O irmão, claro que não é um santo, longe disso (e agora a entrar nos 4 anos está na idade dos “porquês” e dos “nãos”… ui ui), mas mesmo assim, nunca foi nem metade do “birras” que ela é. E por isso que tudo isto tem sido novo nesta família.

Antes de escrever este texto, pensei bastante em como fazê-lo, até porque ao longo deste tempo, já falei com amigas psicólogas infantis, já li uma série de literatura (uma mais idónea que outra) e  acabei por passar os olhos por uns quantos textos “pi-pis” e muito facilitistas em blogs e publicações on-line ligados à maternidade que,se numa primeira fase me encantaram ,depois me deixaram os nervos ainda mais em franja…

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Textos que têm títulos como “as 15 maneiras de lidar com as birras deles”, “Truques para lidar com crianças difíceis”, ” A psicologia dos ataques de choro”, “crianças manipuladoras”.. Grrr… só me confundiam ainda mais. E sabem porquê? Porque estas bloggers, estes jornalistas, estes doutores… parece que são detentores de receitas mágicas que se podem resumir nuns quantos ítens, agrupar dentro de um número certo de carateres, e depois de lê-los, a sensação com que ficava era a de que, ao tentar colocar alguns em prática… e mesmo assim falhando, muitas das vezes.. ao invès de me sentir melhor, acontecia o oposto. Acabava por sentir um enorme fracasso.. e, claro está… um cansaço cada vez maior e maior. Então se é assim tão “fácil”, se tudo cabe num artigo ou numa ou duas páginas, então se eu tento fazer tudo certo certinho, porque raio não funciona cá em casa? Porque continua ela a gritar, a acordar durante a noite e a chorar durante 1 hora e meia e nos leva ao todos os pontos da casa para tentar perceber o que quer, a não obedecer quando lhe peço que apanhe algo ou que me dê algo, ou que largue algo..

Vai daí, que o que me apeteceu escrever não foi nada disso.Dar dicas ou conselhos não era para mim. Até porque também eu os procurei (e procuro), porque cada criança é uma criança, tem uma história, uma família, regras diferentes. Que me desculpem-me os pediatras e pedagogos, mas o que me dizem a mim como Mãe não deve ser dito à Joana, à Patrícia, à Mariana, à Andreia… que também têm passado noites sem dormir, que têm levado cuspidelas, beliscões ou palmadas dos seus bebés (apesar de lhes tentar transmitir que “não se bate”), que tentam educar da melhor maneira as suas crias e que mesmo assim ouvem gente a comentar entredentes na caixa dp supermercado: “Que mal educada é esta criança..” enquanto o nosso rebento espereneia e se atira para o chão porque quer agarrar nas bolachas de chocolate que a mãe não deixa, porque já comeu doces demais nesse dia…

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O que me apeteceu escrever, então, foi uma espécie de texto de partilha e comunhão. Sim, é isso mesmo, um texto que ajudasse a apaziguar as Mães que como eu, e dentro das suas limitações (sim, porque por melhores que queiramos ser, todas cometemos erros, temos dias menos bons e… não, não somos nem temos que ser perfeitas), tentam fazer tudo certo para que os seus filhos sejam felizes,  contentes com a própria existência, entusiastas com a vida e… calminhos e educados… Para já, há que pensar que como “o nosso” há muitos, depois que “poder ser uma fase” e por fim que a forma de lidar e “levar” cada bebé ou miúdo a fazer o que queremos, não se pode generalizar.

Enquanto para um, um berro de autoridade pode funcionar, para outro, ainda o pode colocar mais nervoso, no meio de uma birra. Por outro lado, há crianças que precisam de entender os “porquês” e necessitam que conversemos com elas, outras são exatamente o oposto, quanto mais falamos “na boa”, mais parece que  gozam connosco e nos querem testar até ao limite… Enfim… o que interessa aqui, é que cada caso é um caso. Ajuda partilhar experiências, sim senhora… ajuda e conforta, conseguirmos falar com Mamãs que também têm um “birrinhas” em casa, para que não sintamos coisas como:  ” que vergonha… os outros não são assim…”. São sim! Muitos são assim.. e  não adianta invadir o nosso espírito preocupado com imagens de Mães, casas e filhos perfeitos, que não sujam, que não desarrumam, que não gritam, ideias que nos são transmitidas nesses tais textos “chapa 5” cheios de dicas infalíveis para que os nossos filhos se comportem de vez.. Isso  nunca vai existir, minhas amigas aiiiiiii.. e sabem porquê? Porque acaba uma fase… e começa outra… E pimba, lá vamos nós de novo!!

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Durante estes “longos” 4 anos, desde o meu nascimento como Mãe (altura em que o Afonso veio ao mundo)… este meu convívio intenso com estes dois maravilhosos Seres que são os meus filhos, tem-me ensinado que como estas pequenas criaturas, ao partilhar da minha vida de uma maneira tão completa, me fizeram evoluir e mudar de opiniões a cada mês que passava (aquele pensamento clichet: “ai e tal…  o meu filho há de  ver tv às refeições!!” Está bem está…ou.. “Nunca entendi as mães que dizem  ficar e aliviadas quando eles forem  vão fazer ó-ó…” Entendo e bm ;)).

Desde que os “dramas Matildenos” começaram e depois de esgotadas muitas estratégias ca´em casa, ouvidas mil (e irritantes) opiniões.. finalmente tenho sentido mudanças positivas no seu comportamento. Já percebi que ela é “torta” por natureza, como boa Escorpião que é… mas sinto-a muito menos exigente, mal criada… parva, portanto 😉

E porquê? Pois, a questão é essa… não existem bem “porquês” nem “comos”. A única forma de lidar com isto sem flipar, tem sido ser paciente, insistente, compreensiva, equilibrada…. mesmo quando me apetece a mim…. desquilibrar e passar-me. Atenção que quando falo de ter pacência e compreensão, nada invalida uma voz autoritária ou uma palmada de vez em quando… refiro-me mais à calma como nós, Mães, nos vamos apercebendo que só conhecendo e estando muito atenta à criança,  aos seus hábitos, receios e personalidade  os conseguimos “levar”… Ah, e com o ascréscimo de que temos que ter a noção que de um dia para a noite “tudo pode mudar”, todas as reações e formas de estar, podem parecer as de outro bebé… pelo menos comigo tem sido assim. Um dia algo a incomoda e grita até mais não, outro dia a mesmo situação será vivida na boa e sem grandes dramas…E pronto… lá temos nós, “mães à beira de um ataque de nervos” que nos adaptar e tentar perceber o que às vezes nem é bem para ser compreendido…

Tenho a sorte de ter dois filhos saudáveis, lindos e bem rodeados e de viver com a possibilidade de lhes oferecer umas simpáticas condições de vida. Por isso, agora o resto do “livro” irá ser  escrito baseado na história do meu apoio no seu caminho, dentro deste contexto positivo, e na forma  como eles, os meus filhos, encontraram para se tornarem Pessoas, não só Gente..

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No fundo, percebem onde quero chegar? As birras podem efetivamente ser um filme, podem sim senhora (e eu que o diga que quando vivo estes momentos tensos quase me passo por dentro) mas por favor Mãessss… não matem a cabeça com culpabilizações, com clichets, com opiniões de Avós, Tias, amigas com filhos direitinhos, limpinhos e bem educadinhos de capa de revista (sabem que muitas vezes, nem mesmo as amigas mais próximas nos contam as más educações doa filhos quando lhes perguntamos…parece que cai mal)…

Vivam um dia de cada vez, tentem perceber as “vossas” razões e ir atuando de acordo com elas (falta de atenção, má energia à volta da criança, ciúmes, medos, pura personalidade), ter estofo para aturar (Ser Mãe é isso mesmo lol) e minimizar as situações. Eu, por exemplo, cada vez mais sinto que quanto menos importância dou às birras, menos ela as vai fazendo…

Beijos a todas e Mães e Pais com filhos birrentos mas que vocês amam como ninguém. E votos de pachorra, pachorra e mais… pachorra. No fundo e para resumir isto tudo, acho que a chave  para ultrapassar, conseguir educar e fazer crescer filhos porreiros são estes 3 pontos. E chega. Não acham?

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