Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

17 de Junho de 2013

Grávida!… E agora?!

Sentada à espera que apareçam os traços do teste… Positivo! Ainda na casa de banho, vi a minha vida cheia de mudanças, sorrisos e … medos.
Estava eufórica, chamei o J. e com lágrimas de alegria disse-lhe: “ Estamos grávidos!”

É a notícia mais esperada, e a nossa reação a ela é avassaladora, mas nem sempre no sentido do que esperámos.
A alegria e entusiasmo de um teste positivo a uma gravidez esperada, é muitas vezes proporcional ao receio e à perplexidade.
É uma fase de grandes transformações.
As obvias e visíveis, sendo enormes, não ficam atrás das transformações emocionais, pessoais e interpessoais que aí vêm.
É comum passar estes primeiros tempos entre momentos de euforia que rapidamente podem escorregar para o nó na garganta, para de seguida voltar à euforia.
Para além de todos os receios físicos de que alguma coisa possa não correr bem, vem a perplexidade de um ser a ser gerado dentro de nós. É conhecido, mas quando essa transformação ocorre dentro de nós, há muito de mágico.
Tudo isto na perspetiva feminina do casal, então e o futuro pai?
Nesta fase, o papel do futuro pai, não é fácil.
O pai sabe que estão a acontecer uma série de transformações na companheira, ele próprio se está a preparar para ser pai, sem saber muito bem como o fazer, e porque fisicamente é a mãe a visada, todos se esquecem um bocadinho do seu processo.
É essencial que o futuro pai esteja atento ao que a sua companheira precisa, às suas angústias e receios no que diz respeito ao desenvolvimento físico do bebé, no que respeita ao seu papel enquanto mãe, enquanto mulher, em que é muito importante que continue a sentir-se querida e atraente para o seu companheiro perante todas as rápidas alterações físicas a que é sujeita pela gravidez. No entanto, é também essencial o pai estar atento ao seu processo pessoal.
É muito importante que o pai pergunte, partilhe, acarinhe e elogie, sempre.
A futura mãe pode ajudar a todas estas tarefas do seu companheiro se partilhar com ele as suas sensações físicas, os seus medos, receios, dúvidas e sonhos e mesmo quando é mais fácil não o fazer, porque “ele não vai perceber”, tente, pois estão ambos a iniciar uma viagem muito importante, em que um sem o outro se vão sentir sozinhos e excluídos. Juntos, esta viagem de descoberta pode ser uma vivência fantástica.

Dra. Patrícia Saramago

(Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta)
patricia.saramago@gmail.com
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