Mães e Pais na 1ª Pessoa

Rita Mendes 

Barriga Mendinha

Gosto deles como sendo dois. Mas gosto dos dois como se fossem um.

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Hoje apetece-me falar dos dois. Há muito que não o faço. E desta vez dos dois mas de forma diferente. Apesar de serem mesmo tão diferentes e singulares, hoje quero falar dos dois… em um. Dos irmãos como uma “entidade”una, como um núcleo duro, um grupo de dois que podia ser de 3 ou 4… porque quanto mais observo estes e outros irmãos de famílias mais numerosas é assim que me entram na perceção. Principalmente quando são pequenos.

Ser irmão é algo que não se explica. Sente-se, vive-se, ganha-se.

E ganha-se mesmo. Porque, principalmente, com idades tão próximas como os meus, numa alturas das suas vidas em que ainda não conjeturam ou teorizam nada, a sua inocência e genuídade é o que vai ditar as regras. E elas vão mudando. Vãos e adaptando, vão sendo primeiro “minhas” (do irmão mais velho, que se sente o “superior”), depois as dele ( Do mais pequenote, porqie exige muita e extrema atenção de toda a rede familiar) e mais tarde… quando o bebé já não é novidade e tudo já está instalado.. vão passar a existir as “nossas regras”, as de ambos ( ou “trambos” se fossem três e aí por diante).

Dou por mim, a apreciar babada a interação dos meus dois anjinhos-diabretes. Sim… uma hora às festinhas e a soltar frases como “Ó Mãe… a mana é tão fofinhaaa”, como logo a seguir um acotovelar de queixas sentidas porque a mana “destuíu a torre de Lego ou.. tá a comer a banana do Afonso”… ihhh.. e haviam de ver, o ar decidido de legítima satisfação quando consegue roubar-lhe algo e meter na boca antes dele…

É algo que me comove deveras, assumo. Tanto vê-los aos beijinhos… como à pancada loll… sim, é isso mesmo, porque não serve este texto para analizar birras, ciúmes ou estratégias de como agir de forma justa e na diferença de cada um, isso é tema para outra crónica e sim.. um dia destes também o abordarei, mas aqui… hoje, é da coexistência destes dois seres que criei dentro de mim… e da forma como me enternece saber que sempre se terão um ao outro.

Acho que a melhor prenda que uma Mãe pode dar a um filho.. é um irmão. É uma oferta tão grandiosa, que passa pelo apagar de uma solidão que felizmente não conhecerão (pelo menos na infância, depois na vida adulta, já é outra história porque aí quantas e quantas vezes a estupidez nata dos adultos interfere nessas relações que deviam ser iquebráveis…).

Talvez eu dê uma maior importância a este tema, porque eu, apesar de ter tido uma infância feliz à minha maneira, encontrei-me muitas vezes de cara com essa solidão do filho único e o meu maior desejo, sempre foi ter tido um ou uma companheira de casa, quando era pequenina. Mais tarde, nasceu a minha irmã, que é hoje uma grande amiga, mas a verdade é que eu tinha 15 anos, quando ela veio ao mundo por isso… até uma amiga imaginária inventei em criança. Chamava-se “Nanita” e andava sempre nos meus pensamentos.

Cá por casa, a Matilde Estrela, do alto dos seus 17 meses… e o Afonso Luz com toda a maturidade dos 3 anos e 5 meses…lol… já começam a “encaixar” na vida, a ter uma cumplicidade própria nas rotinas e até nas brincadeiras um do outro. Sinto já que o mano tem por ela, um sentimento de proteção muito giro e ela… bem… e ela… tem reações de Amor, à maneira dela… Sinto-a triste, quando acorda de manhã e a primeira coisa que faz é olhar para a cama do mano.. e não o vê lá (algumas vezes está em “fins de semana de pai” ou numa das avós, devido aos meus afazeres profissionais) e percebo o quanto se diverte (aliás os dois) naqueles momentos em que o irmão já a deixa “brincar” ( mesmo que isso seja desarrumar tudo o que ele fez) nos seus espaços e momentos.

Gosto deles. Gosto deles por serem tão diferentes. E, ui, se são. Mas gosto também deles pelo que os une. Por serem só um. No meu Amor por eles. Pelo seu conjunto… que depois, se desdobra na singularidade de cada um…

E pronto, é desta confusão, nada confusa (sim, porque para nós faz todo o sentido do mundo, mesmo que alguns fiquem sem perceber muito bem).. que respira diáriamente o Coração de uma Mãe. Certo?…

E era isto… 😉

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