Mães e pais na 1ª pessoa

29 de Maio de 2013

Go Home

Para uma criança uma casa é (ou deveria ser) onde está a mãe.

Quando estamos quase a chegar a casa o Vicente começa a rir-se e a dizer “vamos para a casa da mãe”. Eu sorrio e respondo-lhe, “não amor, vamos para a nossa casa, tua, do pai e dos manos também”. Ele rapidamente responde, mimetizando o que ouviu “sim, a nossa casa” mas depressa volta a repetir baixinho “casa da mãe”.
Porque uma criança pequena mora na sua mãe.
Habitar é encontrar o seu lugar no mundo e numa teia de relações. Habitar é encontrar-se.
Por muito que andemos por fora, o desejo será sempre de voltar a casa, para casa, para dentro. O nosso centro. A nossa protecção.
E quando a casa deixa de ser uma protecção? Como ficará o nosso mundo? Quando as guerras mais sangrentas acontecem naquele reduto quase sagrado, na bolha de oxigénio onde deveríamos descansar do caos e da confusão do exterior?
Uma casa pode ser vista como espelho da nossa organização mental, da nossa atmosfera psicológica, da nossa subjectividade, da nossa história. Entrar em casa é como entrar dentro de nós próprios. Delimita a passagem entre o espaço de fora e o de dentro, entre o público e o privado.
Quando deprimimos a casa ressente-se, tudo anda à deriva, sem vida. Quando andamos mais nervosos ou stressados a casa desarruma-se também e, tal como nós, fragiliza-se, complica-se, adoece.
O que significa uma casa despida, quase sem objectos pessoais, quase sem indícios de quem lá vive?
O que significa uma casa onde os donos acumulam recordações, guardam pedacinhos de tudo e são incapazes de se desfazer de memórias?
Uma casa põe à prova as nossas capacidades – de cuidar, de tratar, de estar com os outros, de estar só.
Uma casa nunca é apenas uma casa. A casa da… ou a minha casa ou a tua casa. Sempre associado a um sentimento de posse.
O que é afinal uma casa? O que faz de uma casa um lar?
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