Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

Gestão e Filhos

Decidir ter filhos não é apenas pensar em dinheiro. É analisar disponibilidade mental, tempo e estrutura familiar.

“E ainda pensa em ter outro filho. Muito bem. Grande gestora.” Agradeço a preocupação desta leitora face à minha crónica da semana – sobre as angústias da instabilidade – mas tenho duas más notícias para lhe dar. Primeiro que tudo, confirmando a sua teoria de má gestão da economia doméstica: já não são planos, estou mesmo grávida. Imagine a loucura! Segundo, sem pretensões, a melhor empresa do ano – e concordando em absoluto com a Rita Ferro Alvim para quem “uma família é como uma empresa” – , afirmo-lhe: gerir é muito mais que fazer contas.

Pensei (pensámos) antes da decisão de tentar ter este filho. Poderia dizer “bastante” mas estaria a mentir. Pesámos os prós e os contras, que é como quem diz, as certezas e as dificuldades. Criar filhos custa dinheiro. É uma verdade inquestionável. Criar filhos pode custar muito ou pouco dinheiro, dependendo das opções de cada família. Mas tem sempre subjacente a preocupação de uma poupança para alguma eventualidade.

Quando pensei (pensámos) em ter mais um filho, o dinheiro não estava no topo das nossas preocupações. E explico porquê. Apesar das minhas limitadas capacidades de gestão e da minha assumida angústia perante a instabilidade, tenho poupanças. Aprendi com os meus pais e, mesmo que em alguns meses tenha que recorrer a elas em vez de as engordar, preocupo-me em pôr dinheiro de lado. Mesmo que não existissem filhos teria essa preocupação. Depois, acredito que a maioria dos bens materiais esticam: a casa basta para todos, a roupa dos irmãos está guardada e, se for uma menina, há muitas amigas a quem pedir emprestado. Serve o empréstimo para a roupa, o carrinho, o berço, e outras coisas que venham a ser necessárias. Acredito no Sistema Nacional de Saúde e sou grata pelas condições que (ainda) são dadas às grávidas no nosso país. Não digo que onde comem cinco comem seis porque, a ver pelo que come um adolescente, a conta do supermercado só tende a aumentar. Mas cá estaremos para dar o nosso melhor.

Decidir ter filhos não é apenas pensar em dinheiro (esse bem fundamental seja para quem tem dez filhos ou para quem não tem nenhum). É analisar disponibilidade mental, tempo e estrutura familiar. E querer que venha com saúde. Porque o resto, vamos resolvendo na montanha russa dos dias. Catarina Beato é escritora e autora do blog Dias de uma princesa.

 

Fonte | Dinheiro Vivo

Autora| Catarina Beato