Atualidade

12 de Janeiro de 2015

“Gadgets” nos quartos, pior saúde infantil

Há muito que a multiplicação de aparelhos eletrónicos nos quartos das crianças está relacionada com a diminuição do número e da qualidade das horas de sono. E as estes efeitos indesejáveis podem juntar-se muitos outros, com consequências irreversíveis na saúde infantil.

A Universidade da Califórnia (EUA) promoveu um grande estudo sobre a relação entre a presença dos chamados ‘gadgets’ nos quartos e o estado de saúde das crianças e no relatório final os investigadores não hesitam em afirmar que os aparelhos eletrónicos devem ser, pura e simplesmente, afastados do local onde acontece o sono noturno.

Nos últimos anos, aos ecrãs da televisão e do computador pessoal vieram juntar-se inúmeros outros, em portáteis, tablets, consolas e smartphones. “Sabemos que muito tempo em frente a um ecrã não é bom para a saúde, mas até agora não tinha sido determinado o nível de danos e as diferentes áreas em que tal acontece”, afirma Jennifer Falbe, a líder do trabalho.

Para a análise, publicada na última edição da revista “Pediatrics”, a equipa estudou os hábitos de dois mil alunos do quarto e sexto anos do estado do Massachusetts, envolvidos numa investigação sobre obesidade. E descobriu que as crianças com TV no quarto dormem em média menos 18 minutos por noite. Quando à televisão se juntam outros aparelhos, o sono é reduzido, todas as noites, em cerca de 40 minutos. Em paralelo, as crianças que veem televisão ou jogam no computador ou no smartphone antes de dormir reportam mais cansaço diário e sensação de sonolência.

“A TV foi, durante muitos anos, considerada o ‘grande vilão’ mas os problemas causados por todos os outros ecrãs, que têm tendência a substituí-la, não podem ser menosprezados”, afirma, por sua vez, Heidi Connolly, especialista em sono na Universidade de Rochester, em Nova Iorque.

Na origem das dificuldades em dormir bem está na luminosidade dos ecrãs, nos sons e nos toques de alerta dos telefones, que impedem a passagem para o chamado REM, ou estado de sono profundo. Ao não descansar o suficiente, as crianças tendem a ser mais sedentárias, a ganhar peso e a apresentar dificuldades nos processos de aprendizagem.

Para travar estas consequências a Academia Americana de Pediatria recomenda que as crianças até aos dois anos passem o mínimo de tempo possível em frente aos ecrãs. Mais tarde, os pais devem instituir zonas da casa sem aparelhos – incluindo os quartos – e limitar o número de horas de uso, aumentando-as ligeiramente à medida que as crianças crescem.

Fonte | Pais&Filhos