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Psicologia

3 de Dezembro de 2014

Formas de Educar, Formas de Ser

Formas de Educar, Formas de Ser

“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” Provérbio Africano

A personalidade e o comportamento educativo dos pais é determinante para o desenvolvimento cognitivo, social e afectivo e, em última instância, para o bem-estar pessoal e o sucesso dos filhos.

As relações entre pais e filhos são espaços privilegiados para as crianças aprenderem os primeiros passos em domínios como a comunicação, a afectividade, a socialização, o relacionamento interpessoal, atitudes e crenças.

Das interacções pais-filhos surgem diferentes formas de educar e diferentes formas de ser. Actualmente, consideram-se essencialmente três estilos parentais, que reflectem distintas considerações sobre áreas centrais da educação, como a comunicação, o controlo, a afectividade e as exigências relativas à autonomia. Assim, cada estilo parental traduz diferentes atitudes, crenças e comportamentos dos pais perante a educação dos filhos sendo possível encontrar, mesmo no seio do próprio casal, diferenças nas práticas educativas.

Alguns pais optam por controlar os filhos através do poder e do medo, impondo regras rígidas e recorrendo frequentemente à força e à ameaça para as fazer cumprir. São pouco afectuosos e pouco atentos face às necessidades da criança, podendo por vezes delegar-lhe responsabilidades que não se adequam ao seu nível de desenvolvimento. Estes pais enquadram-se num estilo parental autoritário.

Outros há que, apesar de estabelecerem uma relação razoavelmente afectuosa com os filhos, não definem regras, limites ou estrutura, abdicando totalmente do poder. Estes pais parecem ausentes ou pouco interessados nos filhos, considerando não ter um papel activo, nem responsabilidade, no comportamento dos mesmos. Estamos, neste caso, perante um estilo parental permissivo.

A investigação tem demonstrado que o estilo de educação mais eficaz é o estilo democrático ou autoritativo, porque embora a mãe e o pai sejam detentores de poder partilham-no com os filhos. Este estilo conjuga a autonomia com o afecto. Estes pais valorizam a disciplina, impondo limites razoáveis, apresentados de forma consistente. Além disso, proporcionam um ambiente estimulante, tendo expectativas apropriadas relativamente ao comportamento da criança.

Os estilos parentais parecem influenciar a maneira de ser e estar das crianças e as suas competências para lidar com o mundo que as rodeia. Uma criança educada segundo um estilo autoritário pode não se sentir amada nem merecedora de confiança. A insegurança, dependência, baixa auto-estima e insatisfação estarão, muito provavelmente, presentes na sua vida. Quando adulta poderá revelar falta de responsabilidade pessoal, sentir-se inferior, só e desconfiada.

Se for educada segundo um estilo parental permissivo, a criança para além de não se sentir amada nem merecedora de confiança e com baixa auto-estima, pode sentir-se ainda confusa, desencorajada, dependente, rejeitada e insegura. Em adulta poderá ter dificuldade em respeitar os sentimentos dos outros, pensar que pode fazer o que lhe apetece e ter pouca consciência de responsabilidade social.

Uma criança educada através de um estilo democrático tende a sentir-se amada, merecedora de confiança, respeitada, segura, feliz e com elevada auto-estima. Em adulta tenderá a ser responsável, respeitadora, amiga, disciplinada e determinada.

As diferenças entre pai e mãe na forma de educar os filhos podem levar a que a criança aprenda estratégias diferentes para lidar com cada pai, manipulando o que pode ou não fazer com um ou com outro. A inconsistência das práticas parentais é perturbadora para o desenvolvimento harmonioso da criança, podendo gerar sentimentos de insegurança. A consistência na prática parental é, de facto, fundamental para o bem-estar de todos.

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Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

Oficina de Psicologia

Coordenadora da equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil