Mães e Pais na 1ª Pessoa

Inês Simões 

Eu, Mãe

Fim de ciclo

A amamentação faz parte do meu passado. Pronto, está assente. Lembrada com um misto de carinho, nostalgia pelo que foi e pelo que poderia ter sido, contentamento pela ligação, satisfação pelos resultados, frustração pelos resultados e liberdade paradoxal. Agridoce.

A liberdade de dar de mamar e a liberdade de deixar de dar de mamar.

É nesta fase que estou neste momento, a balançar entre estas duas sensações, entre as vantagens e desvantagens destas duas realidades, ainda com culpa por ter encerrado este assunto na minha vida. Assunto encerrado na prática, presente sempre na minha história. Dei de mamar aos meus dois flhos e foi bom, foi satisfatório, foi normal, foi frustrante, foi aquém, foi além, foi o que foi, o que tinha de ser.

Desta vez não foi fácil. Não foi seguramente tão fácil como foi com o meu filho mais velho. Mas já estou habituada às coisas com este meu filho mais novo serem mais trabalhadas e trabalhosas.

Começou pelas “dores tortas”, que na versão anterior tinham sido um fibrilhar agradável. Normal.

Continuou com uma subida do leite sentida, aflitiva, que havia sido despercebida na primeira vez. Normal.

Depois veio o desafio do leite a menos para rapaz a mais, que foi sofrendo com isso. E eu frustrando. Lá naveguei entre mezinhas e dicas para chegar ao que precisava, mas sem grande sucesso. Foi o início do fim. A sopa antes do tempo que eu queria, com a decorrente diminuição de leite. E uma coisa foi levando a outra. E ele cada vez mais impaciente e eu cada vez mais frustrada.

Foi frustrante ver-me cada vez mais gorda e com cada vez menos leite. Porque foi isto que acabou por me acontecer. Nem eu cuidava do meu corpo, nem o meu corpo cuidava de dar ao meu filho o que ele precisava. Eu tinha o pior dos dois mundos e nenhum dos dois estava melhor a cada dia que passava. Se eu podia ter feito muita coisa de forma diferente? Podia. Se podia ter tido uma alimentação ainda mais cuidada, bebido ainda mais água, tido ainda mais calma? Podia, mas não deu.  Eu fui perdendo pequenas batalhas numa guerra que não quero travar. Mea culpa. Acho que depois da culpa, vamos ser mais felizes, nós os dois. Hoje ainda estou a digerir.

Foto: Dreamaker, num dia que registou um momento especial.

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