Atualidade

7 de Julho de 2015

Filhos de mães trabalhadoras ganham mais e preocupam-se mais com a família

Uma investigação da Harvard Business School descobriu que as mães que trabalham têm filhas mais bem-sucedidas a nível profissional e filhos mais preocupados com a família.

As mulheres cujas mães trabalhavam fora de casa têm mais tendência a ter trabalho, a ter a responsabilidade de supervisão nesses trabalhos e a ganhar salários mais altos do que aquelas cujas mães ficavam em casa a tempo inteiro. Já os homens criados por mães trabalhadoras contribuem mais nas tarefas domésticas e passam mais tempo a cuidar de familiares, diz um novo estudo, com o selo da Harvard Business School.

São boas notícias para as mães trabalhadoras preocupadas com o futuro das suas crianças, consideram os investigadores, que tiveram em conta dados de 50 mil pessoas de 24 países, recolhidos em 2002 e 2012, através do International Survey Programme.

“Há muita culpa parental quando os dois pais estão a trabalhar fora de casa. Mas o que este estudo nos diz é que [ao trabalhar fora de casa] não só está a ajudar a família economicamente – além de profissional e emocionalmente, se tiver um trabalho do qual gosta – como também está a ajudar os seus filhos”, avança a investigadora responsável pelo estudo, Kathleen McGinn, professora na Harvard Business School.

Os filhos vêem as suas mães que trabalham como modelos, diz McGinn. Os resultados mantiveram-se mesmo depois de os investigadores cruzarem as diferenças culturais dos diferentes países. Havia apenas uma irregularidade: as perspectivas de carreiras dos filhos que se identificaram como “conservadores” ficaram inalteradas independentemente de terem tido ou não uma mãe trabalhadora.

Segundo McGinn, “há poucas coisas, de que tenhamos conhecimento, que têm um efeito tão claro sobre a desigualdade de género como ser criado por uma mãe que trabalha”. Ter em casa uma mãe trabalhadora ajuda a quebrar estereótipos e permite também às crianças estar em contacto próximo com um conjunto de várias competências profissionais. “Quando uma mãe vai trabalhar, está a ajudar a sua criança a perceber que há muitas oportunidades para ela”, realça a professora.

“Esta investigação não diz que as crianças de mães trabalhadores são mais felizes ou melhores pessoas e não diz também que as mães trabalhadoras são melhores”, esclareceu Kathleen McGinn à CNN.

Mostra apenas que, a longo prazo, o facto de as mães trabalharem tem efeitos positivos nas crianças: as mulheres criadas por mães trabalhadoras têm 4,5% mais probabilidades de terem um emprego, 33% têm cargos de supervisão e ganham mais 23% do que as filhas de mães a tempo inteiro. Por oposição, os filhos homens passam mais 7,5 horas por semana a cuidar de crianças e disponibilizam mais tempo para as tarefas domésticas.

Fonte: Público