Atualidade

11 de Novembro de 2014

Fígado: Português ajuda a identificar gene do cancro

Uma equipa de cientistas da Universidade de Oxford, em Inglaterra, da qual faz parte um português, identificou um gene que pode levar ao desenvolvimento de cancro no fígado e ao envelhecimento precoce, uma descoberta que poderá abrir caminho à criação de novos fármacos.

A investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista Nature Genetics, juntou médicos, geneticistas e biólogos moleculares e permitiu identificar uma nova causa genética, associada a mutações no gene SPRTN, para o envelhecimento precoce e para a formação de tumores no fígado, bem como identificar a função de uma proteína responsável pela instabilidade genética.

“O que observamos a nível molecular da função deste gene acrescenta uma peça fundamental para perceber o que se passa durante a transformação tumoral e, ao adicionar-se esta peça ‘extra’, adiciona-se também a possibilidade de desenvolver um novo alvo terapêutico”, explica Bruno Vaz, investigador daquela universidade britânica, citado pela Lusa.

De acordo com informações avançadas pela Universidade de Oxford, o leque de possíveis causas genéticas para o cancro estende-se a mais de uma centena de síndromes genéticos raros, cujo estudo é “crucial na compreensao dos processos moleculares do desenvolvimento tumoral, permitindo identificar fatores chave e alvos de novas estratégias terapêuticas”.

Em determinadas situações patológicas, as mutações genéticas são diretamente transmitidas dos pais para os filhos, sendo suficientes para aumentar a possibilidade de formação de tumores. Um dos exemplos é o gene BRCA1/2, que causa 25% dos tumores mamários.

“O que acontece muitas vezes é que as mutações deste gene são incompatíveis com a vida”, realça Bruno Vaz, acrescentando que, no entanto, em alguns casos, como os de três pacientes seguidos pelos investigadores, há uma mutação “compatível com a vida, mas com consequências a nível do envelhecimento e da formação tumoral”.

Segundo o cientista português, cada célula integra componentes estruturais e este gene, o SPRTN, tem uma função específica. A partir do momento em que é identificada, “torna-se muito mais fácil desenvolver fármacos, isto é, inibidores farmacológicos que podem ser utilizados em tratamento tumoral”.

Bruno Vaz destaca ainda que as conclusões desta investigação podem ser generalizadas a todas as pessoas com cancro, sendo este “o grande potencial da publicação: [referir-se] não só a estes pacientes, afetados por tumor no fígado, mas também a tumores no geral”.

Clique AQUI para aceder ao resumo do estudo publicado na Nature Genetics (em inglês).

Fonte | Boas Notícias