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Cuidados a ter no Pré-Parto

21 de Abril de 2013

Estou a aumentar muito de peso…

casal gravidoEstamos de 26 semanas.
Falar do aumento de peso na gravidez é muito difícil, por tudo que já passámos até agora e pelas comparações que inevitavelmente fazemos entre as experiências de outras amigas grávidas.
Até agora, já engordei 8 quilos, não tive grandes transtornos da gravidez, não enjoei, não tenho edemas, não tenho desejos, tenho a tensão arterial controlada, e tudo tem corrido bem até aqui. Para escrever este dia do diário, pesquisei em todas as fontes possíveis: nos meus livros, na internet, as minhas amigas, a minha médica e enfermeira e com a minha nutricionista. Vamos então falar de peso na gravidez! Para começo: é inevitável, o aumento de peso vai mesmo acontecer!

A gravidez é um período de maiores necessidades nutricionais para a manutenção da boa condição física e de saúde da mãe e garantia do adequado crescimento e desenvolvimento do feto, já que a única fonte de nutrientes do feto é a alimentação da mãe e as suas reservas nutricionais. O estado nutricional da mulher, antes e durante a gravidez é importante para a saúde de ambos e deve adaptar-se a cada mulher, considerando as diferenças individuais como as dimensões corporais, actividade física, idade, número prévio de gravidezes, entre outros.

Nesta fase, é igualmente importante a prática de exercício físico moderado, de forma a se fazer um melhor controlo do aumento excessivo de peso, melhorando a performance física da grávida, o seu bem-estar psicológico e limitando as complicações na gravidez associados ao aumento excessivo de peso.
Mas, qual é o aumento desejável de peso ao longo da gravidez?

O aumento dependente do trimestre em que uma grávida se encontra, no entanto, não significa que deverá comer “por dois”, mas sim para dois. De uma maneira geral, uma grávida deverá aumentar cerca de 900g a 1,8kg no primeiro trimestre, e aproximadamente 450g em cada semana nos segundo e terceiro trimestres, o que perfaz um total de aproximadamente 12 Kg durante toda a gravidez.

Mas, como se distribui o aumento de peso?

  • no momento do parto, o bebé pesa em média 3.300 gr.
  • ao longo da gravidez, a camada muscular do útero (o miométrio) aumenta e pesa cerca de 900 gr a 1.300 gr.
  • a placenta pesa cerca de 700 gr no final da gravidez.
  • os peitos aumentam cerca de 900 gr.
  • o líquido amniótico pesa cerca de 900 a 1.300 gr.
  • o volume de sangue materno aumenta, o sangue extra pesa 1.200 gr.
  • a acumulação de gordura no corpo para a gravidez e amamentação aumenta cerca de 2000 a 3000 gr.

O aumento de peso da gravidez está intimamente ligado ao IMC (índice de massa corporal) prévio à gravidez, pelo que mulheres com baixo IMC poderão ter um maior aumento de peso, em oposição a mulheres com altos IMC, que deverão ter menores ganhos de peso.
E quais os nutrientes mais importantes na alimentação de uma grávida?

 

  • proteínas: durante a gravidez as necessidades proteicas aumentam devido à formação da placenta, crescimento dos tecidos uterinos e desenvolvimento e crescimento do bebé. São fornecidas pelo consumo de carne, peixe e ovos;
  • hidratos de carbono: os hidratos de carbono são a principal fonte de energia do organismo, são fornecidos essencialmente pela ingestão diária de alimentos como o pão integral, a batata, o arroz, a massa, aveia.
  • gordura: a grávida deve ter um consumo adequado de ácidos gordos essenciais como o ácido linoleico, ácido linolénico, DHA e AA. Os ácidos gordos DHA e EPA são de grande importância para o desenvolvimento do cérebro e sistema nervoso do feto, especialmente no último trimestre de gravidez. A melhor fonte alimentar deste tipo de gorduras é o peixe gordo como sardinha, salmão, atum e cavala.
  • ácido fólico: o consumo de ácido fólico para uma mulher adulta são de cerca 400 µg por dia, subindo para 600 µg durante a gravidez. É fornecido essencialmente pelos cereais integrais e leguminosas (ervilhas, feijão, grão-de-bico, favas) sendo importante a toma de suplementos desta vitamina associada à alimentação. O ácido fólico é particularmente importante para a redução do risco de desenvolvimento de deficiências no tubo neural do feto.
  • Ferro: é essencial para o crescimento e metabolismo energético do bebé e para compensar a anemia materna inerente à gravidez, o que poderá aumentar o risco de baixo peso à nascença, nascimento de bebés pré-termo e mortalidade.

A Associação Portuguesa de Nutricionistas dá as seguintes recomendações no dia-a-dia alimentar de uma grávida:

  • tomar sempre o pequeno-almoço, esta é uma das mais importantes refeições do dia. Após um jejum prolongado, é fundamental fornecer ao organismo todos os nutrientes necessários para um novo dia;
  • não realizar pausas alimentares superiores 3 a 3,5h (o que perfaz 5 a 7 refeições/dia), para que ao longo do dia, o organismo tenha o aporte de nutrientes e energia necessários;
  • a refeição deverá ser iniciada com um prato de sopa e acompanhda de salada ou legumes;
  • optar pelos métodos de confecção mais saudáveis (estufados e assados em pouca gordura, grelhados, cozidos a vapor, cozidos);
  • privilegiar a ingestão de água a refrigerantes e sumos de frutos (2 litros por dia);
  • comer diariamente carne, peixe ou ovos, para ter o aporte adequado de proteína, nas quantidades necessárias, privilegiando o consumo de peixe.

Por muito que seja desconfortável para uma grávida, o aumento de peso na gravidez é extremamente necessário para o normal desenvolvimento da gestação e para a saúde do bebé.

Amanhã vou novamente ao nutricionista. O J. também já mudou os seus hábitos alimentares!

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