Atualidade

17 de Outubro de 2014

Este ano é previsível que nasçam menos de 80 mil crianças em Portugal

Pediatra diz que, mais do que preocupados com a quebra da natalidade, devíamos estar empenhados em fazer com que as poucas crianças que nascem desenvolvam todo o seu potencial.

Nunca foi tão baixo o número de nascimentos em Portugal. Este ano é possível que nasçam menos de 80 mil bebés, mas, para a pediatra Maria do Céu Machado, o ruído criado à volta da quebra da natalidade acaba por ser “redutor”. “Há uma enorme preocupação com o número de crianças que nascem no país, mas não nos preocupamos com as que nascem agora”, lamenta a directora do departamento de Pediatria do Hospital de Santa Maria (Lisboa) que integrou a comissão independente que em Julho apresentou uma série de medidas para estimular a natalidade.

“Temos que olhar para as poucas que nascem e fazer com que desenvolvam todo o seu potencial. Temos que ter a certeza de que não há negligência, que são bem tratadas, que não há insucesso escolar”, defende Maria do Céu Machado, que esta sexta-feira vai chamar a atenção para a necessidade de consolidar os resultados nacionais na saúde infantil e investir na adolescência, no congresso nacional de pediatria.

Maria do Céu Machado lembra, a propósito,  o exemplo da Finlândia, país onde a taxa de natalidade também baixou substancialmente, e que avançou com programas de acompanhamento personalizado para cada criança com insucesso escolar.

Enquanto se espera que o primeiro-ministro anuncie a estratégia de apoio à natalidade que prometeu, a pediatra que é uma das autoras do relatório Por um Portugal amigo das crianças, das famílias e da natalidade apresentado em Julho, acredita que algumas propostas vão avançar, mas também está consciente de que isso não bastará para pôr as pessoas a querer ter filhos de um  momento para o outro.

O primeiro-ministro prometeu recentemente aos membros da comissão que, depois da apresentação do Orçamento de Estado, iria avançar com “duas ou três” das medidas sugeridas em cada um dos seis eixos de recomendações feitas pelo grupo de trabalho, diz a pediatra. Entre as propostas figura a possibilidade da isenção da Taxa Social Única para as empresas que contratem grávidas, assim como descontos nas tarifas de água, resíduos e saneamento.

Preocupada com o adiamento da idade em que as mulheres têm o primeiro filho, a pediatra sublinha ainda que é necessário apostar na educação para a saúde nas escolas, nomeadamente explicando  aos adolescentes, ao mesmo tempo que se lhes fala sobre contracepção e a forma de evitar doenças transmissíveis, que a fertilidade diminui substancialmente com a idade.

Fonte | Público