Mães e Pais na 1ª Pessoa

Joana Gama e Joana Paixão Brás  

A Mãe é que Sabe

Estás grávida se…

1 – tiveres feito amor ou, então, se tiveres conhecido algo que se chame de Espírito Santo e tenham feito essa marotice, mas que lhe tenhas dado outro nome.
2 – de repente, já não consegues encolher a barriga nas fotografias. Bem tentas, mas não tens controlo nela, muito à semelhança da consequência de ingestão de uma pizza inteira cheia de queijo por um intolerante à lactose.
3 – começas a olhar com um ar guloso para camisolas de riscas horizontais justas. Nunca usarias aquilo na vida, não fica bem a quase ninguém, mas é agora que vais usar e é agora que deves usar. É uma espécie de farda da gravidez.
4 – andas com um ar de que os problemas dos outros não te podiam afectar menos. Estás a gerar vida, estás a “começar” a tua vida (é o que algumas sentimos) e queres lá saber o que o teu chefe pensa de não terem aparecido a horas para uma reunião.
5 – começas a querer fazer mais amor e de uma maneira que só a Bernardina compreende.
6 – pensas que tomar ácido fólico é algo comovente porque está ligado, de forma muito amorosa, ao teu bebé, ao vosso futuro em casal.
7 – os teus mamilos começam a escurecer ao ponto de parecer que levaste com dois balázios nas mamas.
8 – o teu pipi começa a engordar como se andasse a comer kinder supresa às tuas escondidas.
9 – ouviste falar que se te deitares para o lado esquerdo/direito (há teorias) faz mal ao bebé e, portanto, privas-te disso durante meses e meses.
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10 – entras moderadamente em pânico por não perceberes a diferença entre bodys e babygrows nas listas para a maternidade.
11 – até achas graça o teu cocó sair preto porque sabes que é do Folifer.
12 – apesar de teres prometido a ti própria não abimbalhar muito, já estás num ou 30 foruns para mães na internet e uns 42 grupos sobre isso no Facebook.
13 – todos os dias achas imbecil a forma como se contam as semanas de gravidez.
14 – começas por ler um livro do Dr. Mário Cordeiro e ainda achas que ele tem sempre razão.
15 – alguém te diz que canela e chá verde são abortivos e, por isso, nunca mais lhes tocas e fazes questão de dizer a toda a gente, mesmo que não tenham útero.
16 – tens sonhos muito bizarros.
17 – tens uma daquelas almofadas de maternidade enormes tipo salsicha porque disseram que ajudava dormir com aquilo, mas nunca te ajeitas realmente.
18 – sangras um bocadinho do nariz de vez em quando sem razão aparente.
19 – limpar o rabo ou o pipi passam a ser desafios maiores do que fingir que ouvimos aquela nossa amiga a queixar-se vezes sem conta do namorado, mas que continua lá a afunçanhar (eu sei que isto não existe) vá se lá saber porquê.
20 – Tiveres, pelo menos, um bebé dentro da tua barriga.
 
*Todas as gravidezes são diferentes. Há quem odeie estar grávida, há quem fique eufórica, há quem não saiba até parir. Há quem se sinta grata, há quem se sinta amaldiçoada, há quem não sinta nada por estar cheia de dores. Isto é uma brincadeira em que peguei na minha própria experiência, sendo que, apesar do desafio, certificava-me sempre que limpava muito bem as minhas partes. Ok? Pronto. Agora também, mesmo não estando grávida. 
Joana Gama
Blog | a mãe é que sabe
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