Mães e Pais na 1ª Pessoa

Vera Pereira 

As Viagens dos Vs

Envolver as crianças nas tarefas domésticas: SIM ou NÃO?

Um dos papéis mais importantes que os pais têm que desempenhar é o de saber/aprender a incentivar a independência dos seus filhos, à medida que vão crescendo. Adquirir essa independência é fundamental na construção da sua personalidade e nos adultos que serão no futuro.

Transferir alguma responsabilidade aos nossos filhos, de acordo com as suas idades, é importante, pois estamos a contribuir para que eles ganhem confiança em si mesmos e saibam cuidar de si. E, por muito que o nosso instinto seja o de protecção e o de protelar sempre um bocadinho mais essa independência (talvez por pensarmos que assim estamos a garantir ter “nosso bebé” por mais tempo), nenhuma mãe quer ter um filho crescido que não é capaz de se auto suficiente, que aos 40 anos ainda mande a roupa para nossa casa para lavarmos, que não saiba fazer um prato de comida ou a quem a sujidade e a desarrumação não incomoda.

Quando nascem, os bebés precisam de todas as atenções, precisam de cuidados 24h por dia: não se alimentam sozinhos (embora o instinto esteja lá), precisam que lhes mudem a fralda, que antecipem, por vezes, as suas necessidades, ou seja, precisam dos pais para tudo. Mas, ainda assim, à medida que vão crescendo um pouco e que vão ganhando alguma autonomia e confiança, a tendência é sempre para quererem começar a fazer as coisas sozinhos.

A partir dos dois anos, quando já são relativamente auto suficientes, as crianças começam a achar que conseguem mesmo fazer tudo sozinhas (incluindo as coisas mais bizarras, como levar um garrafão de 5L de água). Até mesmo quando estão a brincar, a nossa presença só é necessária para fazer companhia, porque se tentamos interferir com o que estão a fazer, gera-se um grande problema. Depois, tiram a fralda e, pronto, acabou-se a história do bebé em definitivo.

Por aqui, o que se ouve é: “Não, o Vicente faz!” E, mesmo que, com a pressa de alguns momentos e a saturação de outros, a vontade seja a de contrariar a sua vontade, porque ainda não sabe fazer as coisas bem e nós queremos despacharmos, a nossa atitude deve ser a inversa.

O Vicente quer fazer tudo: fazer a cama, tirar a louça da máquina, fazer as suas próprias compras de supermercado, lavar os dentes, limpar o rabinho depois de fazer cocó (sem nos deixar, de todo, ajudar), vestir-se sozinho, lavar-se com o chuveiro (e molhar a casa de banho toda) e a paciência (mais uma vez, a santa paciência) tem que reinar e temos que adoptar uma postura de encorajamento e de valorização pelo que está a fazer.

E é precisamente nesta fase que devemos aproveitar para começar a envolver os nossos filhos nas tarefas de casa. Por exemplo, o Vicente andava sempre com os talheres por todo o lado, quando eu começava a arrumar a loiça lavada. Foi, então, que decidi colocar, ao nível dele, os seus talheres, os babetes e os pratos e foi o melhor que podia ter feito. Agora é ele quem arruma a sua loiça e que a vai buscar quando é altura de comer. Estamos todos satisfeitos: ele porque ajuda e eu porque não ando atrás dele para lhe tirar as coisas.

Já com outras, que não correm tão bem, aprendi que tenho que o deixar fazer a primeira vez e esperar que seja ele a pedir a minha ajuda e, desta forma, tudo corre bem. E, no final, ele vira-se para mim e diz: “Consegui, vistes?!”

E, sobre este assunto, partilho com vocês um quadro que pode ajudar-nos a perceber por onde começar e o que é razoável esperar dos nossos filhos, de acordo com as suas idades:

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E, a verdade é que é também através de coisas tão simples como limpar o pó ou arrumar os sapatos, que as crianças estão a aprender o que é a responsabilidade, a organização e a entre ajuda. E, mesmo que, os mais pequenos “atrapalhem mais” do que ajudem, a nossa intenção deverá ser a de os mantermos envolvidos nessas tarefas.

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