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Bem Estar

26 de Maio de 2015

‘Envelhescência’ mostra que nunca é tarde para se reiventar

envelhescencia

Edson Gambuggi formou-se em medicina aos 82 anos. Aos 72 anos, Judith Caggiano fez a sua primeira tatuagens. Edmea Correa começou a surfar aos 58 anos. Ono Sensei, a meses de tornar-se nonagenário, dá aulas de defesa pessoal, enquanto Oswaldo Silveira, 84 anos, prepara-se para sua 12ª maratona, e Luiz Schirmer, 76 anos, para atingir 4.000 saltos de paraquedas.

Estas seis histórias de vida que inspiram uma nova leitura sobre a terceira idade foram retratadas em “Envelhescência”, uma longa metragem dirigida por Gabriel Martinez, com estreia prevista em junho, no Brasil. De uma forma positiva, estas pessoas calam o pessimismo de muitos. O próprio realizador confessa que, há três anos atrás, quando iniciou o projeto e tinha apenas 33 anos, achou que estava velho para fazer o seu primeiro documentário. A perspetiva do próprio em relação à vida e ao envelhecimento, mediante a realização deste trabalho, acabou por mudar radicalmente.

Viver de forma plena o processo de envelhecimento é transformar “a vivência da velhice em uma experiência criativa, que subverte as noções anteriores de declínio e degeneração, e apontam para uma relação criativa do envelhecer e da reconstrução da história pessoal por meio de novas experiências”, já dizia o psicanalista Manoel Berlinck, em 1996.

E é exatamente desta forma que Luiz Schirmer vive. Quando salta de paraquedas as pessoas estranham, por acharem que é demasiadamente “velho” para tamanha aventura. As pessoas olham e comentam mas a verdade é que Luiz sente-se jovem e plenamente capaz de viver a vida conforme entende e o faz feliz.

“Uma velhice que seja vibrante, não só brilhante, não só radiante, não tem idade e nenhum tipo de barreira”, afirma no documentário o filósofo Mário Sérgio Cortella. Os limites são estabelecidos por cada pessoa, enquanto ser individual e capaz. A maior transformação do século 21 vai passar pela forma como a maioria de nós se prepara para esta longevidade para muitos não estão preparados”, afirma o médico Alexandre Kalache.

Com o documentário, Gabriel Martinez quer quebrar estereótipos e trazer histórias inspiradoras para “incentivar quem tem 40, 50, 60, 70 anos a não perder a fé na capacidade de começar algo de novo”. E deixa uma pergunta no ar no teaser de 2 minutos do longa metragem de 74 minutos: “E você, como vai encarar sua velhice?”

Fonte: Catraca Livre