Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

5 de Dezembro de 2015

Educar para a Empatia

A infância é por excelência (sobretudo quando falamos nos primeiros anos de vida), a fase mais egocêntrica de todo o nosso desenvolvimento. Nos primeiros anos de vida, a criança vive centrada em si própria e nas suas necessidades e o outro ainda não é percebido pela criança enquanto um ser que também sente necessidades.

empatia

Contudo, à medida que a criança vai crescendo, é esperado que esta fase mais egocêntrica se vá dissipando e que os outros vão ganhando mais terreno no universo da criança, passando a existir o eu e os outros. Esta é uma questão frequente na constelação de preocupações dos pais. Não raras vezes, os pais e educadores confrontam-se com situações que espelham esta preocupação: seja naquele dia em que o nosso filho tinha um pacote de gomas e recusou-se a dar uma goma ao primo, seja no dia em que o nosso filho não quer brincar com o amigo que está triste e a chorar, não se mostrando muito perturbado com isso…não faltam situações no dia-a-dia que causam sempre alguma preocupação aos pais.

A boa notícia é que esta importante competência, a empatia (a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro), também se educa, também se ensina! Por isso, deixo-lhe algumas dicas que poderá seguir para educar para a empatia:

Seja empático/a: na parentalidade, a frase “dar o exemplo” é regra de ouro, é um dos principais chavões da arte de educar. E quando falamos de empatia, não é excepção. É importante que tenha uma atitude empática com o seu filho sempre que possível, sobretudo nos momentos mais difíceis. Um exemplo de momento difícil para sermos empáticos, é quando o nosso filho está a sentir raiva. Mas é principalmente nestas alturas que deve ser empático/a porque é nestas alturas que o seu filho mais precisa da sua capacidade de se colocar no lugar dele, que entre em contacto com o estado emocional que ele está a experienciar naquele momento. Esta atitude, fará com que o seu filho sinta na primeira pessoa a sensação que é sentirmo-nos aceites e apoiados pelo outro. Irá sentir compreensão, conexão emocional, suporte, o que irá promover uma maior consciência do outro e uma maior sensibilidade para perceber situações em que os outros estejam a precisar da sua empatia.

Promova a reflexão: procure aproveitar as situações do dia-a-dia, para ajudar o seu filho a desenvolver a sua capacidade de se colocar no lugar do outro. É importante que não utilize apenas situações que estão directamente relacionadas com ele, mas também com outras pessoas. Poderá aproveitar os desenhos animados e algumas histórias que estão aí por casa para promover a empatia. Esteja atento/a a cenas em que de alguma forma alguém está triste, frustrado por ter sido injustiçado e promova a reflexão do seu filho. Poderá fazer-lhe questões, como: “como achas que o menino se ficou a sentir por não quererem brincar com ele?”, “O que é que ele estará a pensar?”, “Se tivesse sido contigo, o que achas que poderias fazer para resolver a situação?”.

Valide os comportamentos empáticos do seu filho: nunca se esqueça de validar quando o seu filho tiver uma atitude empática. Poderá dizer “reparei que sentiste que o teu amiguinho estava triste e emprestaste-lhe os teus legos. Estou muito orgulhosa de ti. Queres contar-me como foi?”

Promova o “Como te sentirias se…?”: aproveite a leitura de uma história, para trabalhar esta competência do seu filho se colocar no lugar do outro, formulando a questão exactamente nesse sentido. Poderá perguntar: “Olha, na história o menino está muito triste porque o seu amiguinho não lhe ofereceu uma das suas bolachas. Como te sentirias se tivesse sido contigo?”, “O que achas que o menino que tinha o pacote de bolachas poderia ter feito?”

Converse com o seu filho: conversar é fundamental para a empatia. É a conversar que o seu filho irá adquirir algo fundamental para ser empático: ouvir. Para sermos empáticos, temos de ser bons ouvintes, porque só sabendo ouvir o outro (no que diz e no que sente) é que conseguimos colocar-nos no seu lugar, entrar e contacto com o que o outro está a sentir.

Por tudo isto, lembre-se sempre: a empatia do seu filho também se pode educar e você, enquanto pai ou mãe, é o melhor ponto de partida! Nos primeiros anos de vida, é da conexão do pai e da mãe que a criança precisa e esta conexão será preciosa para as relações interpessoais do seu filho ao longo de toda a sua vida serem precisamente nesse sentido.

Educar para a empatia! O desenvolvimento socio-emocional do seu filho agradece!

 

Sandra Azevedo

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo

* Artigo exclusivo para Barrigas de Amor®

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