Atualidade

10 de Outubro de 2014

Ébola: tudo o que precisa de saber

A multiplicação de casos de infeção pelo vírus do Ébola e o surgimento dos primeiros doentes atingidos na Europa está a aumentar os níveis de preocupação. No nosso país, o ministério da Saúde garante que tudo está preparado para qualquer situação, embora garanta que o risco é “baixo”.

Como em qualquer outra patologia, a informação é meio caminho andado para enfrentar de forma eficaz tanto o receio como uma eventual suspeita ou efetiva infeção. São estas as respostas que precisa de saber.

O que é o Ébola?

O Ébola é um vírus que foi pela primeira vez identificado em 1976 e provoca febres hemorrágicas. Não existe vacina, nem tratamentos específicos e a taxa de mortalidade situa-se entre os 25 e os 90 por cento. No entanto, nas últimas semanas alguns doentes foram tratados experimentalmente nos Estados Unidos, com resultados encorajadores.

Como a pessoa é infetada?

A infeção resulta do contacto direto com líquidos orgânicos de doentes – como sangue, urina, fezes e sémen. A transmissão da doença por via sexual pode ocorrer até sete semanas depois da recuperação clínica. O período de incubação da doença pode durar até três semanas.

Que surtos já existiram?

Desde 1976 registaram-se vários surtos, nenhum com tantos infetados e países atingidos como o atual, que começou em fevereiro e, até hoje, causou em vários países africanos cerca de três mil mortos. Até ao momento registaram-se surtos na Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria.

Quais os sintomas?

A febre costuma ser o principal sinal, acompanhada de fraqueza e dores musculares, de cabeça e de garganta. Outros sintomas nos tempos seguintes são náuseas, diarreia, feridas na pele, problemas hepáticos e hemorragia interna e externa. Entre a infeção pelo vírus e os primeiros sintomas podem decorrer entre dois e 21 dias.

Como se trata?

Até agora, não existia cura nem um tratamento específico para esta febre hemorrágica, mas a comunidade médica possui já opções experimentais. Normalmente, são dados aos doentes os tratamentos que costumam ser administrados nos cuidados intensivos, com destaque para a hidratação.

Quais os hospitais de referência em Portugal?

No nosso país, os hospitais para onde serão encaminhados os doentes suspeitos de estarem infetados com o vírus do Ébola são os hospitais Curry Cabral (com o Egas Moniz em segunda linha) e Dona Estefânia (para crianças), em Lisboa, e São João, no Porto.

Qual é a resposta de emergência médica?

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) tem equipas especializadas, com formação específica e equipamento de proteção elevado. Serão estas equipas que irão acompanhar os casos suspeitos ou de doença e encaminhá-los para os hospitais de referência.

Que medidas as autoridades portuguesas têm em vigor?

A Direção Geral da Saúde analisa atualmente os equipamentos de proteção individual a utilizar pelos profissionais de saúde e também o contexto da sua utilização. Para além disso, existem outras recomendações e medidas:

  • Recomendação aos cidadãos para que ponderem viajar apenas em situações essenciais, tendo em atenção o princípio da precaução, apesar de não estarem interditadas, atualmente, viagens internacionais para áreas afetadas;
  • Os viajantes são alertados para procurarem aconselhamento médico caso se verifique exposição ao vírus ou desenvolvam sintomas de doença;
  • Portugal tem em estado de prontidão mecanismos para detetar, investigar e gerir casos suspeitos de doença por vírus Ébola, incluindo capacidade laboratorial para confirmação da doença;
  • Estão previstas medidas para facilitar a repatriação dos cidadãos que possam ter estado expostos ao vírus.

Fonte | Pais&Filhos