Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

É por isto…

“Olhos lindíssimos, pensei. Verdes e castanhos e quase baços, como se o brilho só lhes acontecesse de vez em quando.”

“Aos dez anos, três quilómetros eram o êxodo do Egipto.”

“Certamente haveria segredos; não era possível que um homem vivesse sozinho naquele lugar sem que, dentro de si, alguma coisa houvesse quebrado.”

[“O Luto de Elias Gro”, João Tordo]  

(Prometi ontem à editora do João Tordo que, quando terminar a leitura do livro, falo como deve ser sobre ele. Acontece que, cada vez que lhe pego, a vontade que tenho é de me sentar a escrever. Cada frase merece um momento para ela.

As palavras alinham-se em dois planos, para mim, que já não consigo ser apenas leitora – e aqui entra o João e o curso, que nos pôs a ler como escritores, e se eu achei que não ia ser nada disso, que ia continuar a ler como leitora… bem me enganei, porque nada do que li depois do curso foi lido apenas com olhos de leitora. Mas adiante.

O conteúdo, portanto, a história, desfia-se como um novelo e, como acontece com os novelos se lhes puxarmos a ponta, ganha velocidade e caminha rapidamente (demasiado rapidamente, diria antes) para o final. E a forma, a anatomia do livro, a maneira como as peças se encaixam, a maneira como isto parece quase um engenho mecânico, é qualquer coisa de muito especial.

Como disse ontem ao João, acho sempre que ele vai ter um desafio enorme em superar-se no livro seguinte – são sempre tão bons que me parece tarefa homérica bater a fasquia que ele vai impondo. Mas ele supera-se sempre. Contudo… bom, já o disse antes e ele superou-se, mas isto, este Luto, é uma espécie de masterpiece.

Pela história e pela escrita que, sendo claramente João Tordo e mantendo o cunho dele, está cada vez mais apurada, mais maturada, mais genial.) (E isto ainda não é, nem de perto, tudo o que tenho a dizer sobre o livro.)

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