Espaço Família | Vem aí um irmão

Coaching Parental

14 de Maio de 2013

É permitido obedecer

Hoje em conversa a minha mãe decidiu explicar-me a importância da imposição nas crianças… “ A M. está mal habituada, não pode ser sempre ela a decidir o que quer e não quer! Não tem idade para isso!”. Fiquei a pensar neste “ recado” e fui pesquisar nos artigos da  coach parental.

Li uma entrevista de um senhor pedopsiquiatra, de seu nome Daniel Marcelli, que diz que, nesta coisa das escolhas, a criança precisa que os adultos imponham, para que ela possa escolher. Fiquei intrigada e decidi ler mais.

O senhor Marcelli explica o porquê da imposição: “a criança é conservadora por natureza”. Ou seja: se lhe dermos massa todos os dias, no dia em que lhe dermos a escolher entre massa e puré de batata, vai preferir a massa. E essa escolha é feita tendo em conta aquilo a que está habituada e nada mais. Lá está! Se eu quero que a minha filha coma de tudo, tenho de lhe dar a provar e insistir. Que é como quem diz: “impor”. A palavra faz-me formigueiros, não se cola bem à minha pele, mas ainda assim percebi a ideia. Dou por mim a perguntar: oh pá, será que me apetece arruinar um jantar por causa de um puré de batata? Ou será que um dia, ao ver-me comer o dito puré vai pedir-me para provar e vai ficar a adorar (ou detestar)?

O conceito deste pedopsiquiatra é interessante e muito válido. É verdade que uma criança (e qualquer adulto) só pode verdadeiramente escolher quando tiver conhecido tudo o que se faz/oferece numa determinada área (quem diz puré, diz bróculos, legumes ao vapor, massa chinesa, you name it!). Isso sim, chama-se escolha.

Mas a mim, não me apetece muito estar a impôr o que quer que seja se, à custa disso, apenas ganho uma crise de choro, uma criança stressada (já pra não falar da minha crise de nervos!!) e um final de jantar menos bom. Prefiro propôr, sugerir, do que impôr. Dizer até ‘cá em casa provamos sempre’ e se não gostar… pronto!
O senhor Marcelli chama-me démodé… E eu respondo: Oh la la!!

Magda Dias

parentalidade positiva