Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

2 de Agosto de 2014

E, de repente, os filhos já estão crescidos… e a sair de casa

Man leaning out car window and waving to parents in driveway. Image shot 2011. Exact date unknown.

É chegada a época de preparação de candidaturas para a universidade, do início de um percurso profissional, da mudança de emprego, ou mesmo de um casamento. Aproxima-se a altura do seu filho adolescente/pré-adulto sair de casa à descoberta de novos mundos, e de repente, parece que a casa ficou “vazia”.

Este momento da vida familiar é marcado por um processo emocional de aceitação de que o filho já não é uma criança e que está na hora de dar início a uma construção autónoma das suas próprias vidas. Existe a possibilidade de surgirem algumas dificuldades quando não houve uma preparação prévia. Os progenitores demasiado dependentes dos filhos podem não motivá-los nesta fase, pois na realidade têm dificuldade de aceitar que os filhos cresceram e necessitam de independência, dificuldade de o casal se reencontrar, estar só ou aceitar a passagem do tempo.

Assim, é posta à prova a capacidade da família de origem lidar com o afastamento, com a mudança de rotinas, com a preocupação à distância, com a tristeza, saudade, solidão… com um turbilhão de emoções! Adicionalmente, poderão surgir sintomas ansiógenos e depressivos transitórios, principalmente nas mães, como cuidadoras principais dos filhos, por não se sentirem tão presentes e úteis na vida deles. Mas, acredite que os filhos irão precisar que os pais continuem a ser figuras de vinculação, disponíveis para confortar e acompanhar nos seus projectos de vida.

Durante o período de saída do primeiro filho e a saída do último filho, a família com jovens adultos tem a tarefa de permitir a separação e facilitar a saída, com assistência adequada. É importante que os pais apoiem os filhos, sem estarem constantemente a demonstrar preocupação, de forma a manifestarem confiança neles, dando-lhes oportunidade para errar e aprender por si mesmos, percebendo que terem encargos e responsabilidades os fará crescer e preparar para o mundo. Acredite que as raízes, os valores e aprendizagens que empenhadamente lhes ensinou desde tenra idade serão postos em prática e que o seu filho lhe ficará grato pelos ensinamentos (embora às vezes não o verbalize ou demonstre).

Também os filhos necessitam de se adaptar às modificações inerentes à nova etapa de vida, sendo normais os seus pedidos e conselhos e a recusa dos mesmos, a procura de aconchego emocional e, ao mesmo tempo, a necessidade de independência afectiva.

Deste modo, nesta fase, a família deve reorganizar-se como sistema, substituindo a dependência e autoridade hierárquica da infância e da adolescência por um equilíbrio mais igualitário de adulto para adulto. Para além da tarefa principal de facilitar a saída dos filhos de casa, outros desafios deverá ultrapassar, tais como renegociar a relação do casal, reforçar redes sociais de apoio e aprender a lidar com o envelhecimento.

Lembre-se, o acto de educar uma criança, nada mais foi do que ir fortalecendo raízes saudáveis, já que disso depende um voo de sucesso. E depois, é hora de se orgulhar (de si próprio e do seu filho) do quão alto as asas adquiridas por ele o farão voar!

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

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