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Psicologia

2 de Julho de 2014

Dos totós e bonecas… para o rímel e salto alto

Dos totos e bonecas

Que a adolescência é um período de grandes transformações físicas, cognitivas e emocionais todos sabem. Professores, amigos, médicos, psicólogos… todos falam nisso e nos vão “preparando para o que aí vem”: as hormonas e as alterações de humor, a necessidade dos amigos ( e logo, do telemóvel e das redes sociais) como do ar para respirar, os ídolos da adolescência e o não poder falhar àquele concerto dos One Direction…

E, claro, chega aquele dia fatídico em que a nossa princesa diz “posso ir sair à noite?”. E todo o mundo estremece!? Nem tanto, podemos pensar que faz algum sentido, ela é cumpridora, responsável e, sim, está na idade de, com regras, começar a sair até mais tarde com os amigos.

É então que, chegada a hora de sair, ela sai do quarto maquilhada, cabelo esticado, talvez com a mini-saia, e, não podiam faltar, os saltos altos! Haverá pai ou mãe preparado para isto!?

Aquele momento em que entrou no quarto uma criança, e sai uma jovem atraente, com uma sensualidade própria da adolescência e que decerto ainda não sabe gerir, mas, sim, já uma “mulherzinha”.

Frequentemente, a tentação será mandá-la voltar a atrás dez anos. “Põe antes aquele vestido dos lacinhos que era tão giro, ficava-te tão bem!”…

Explicando. Na adolescência a descoberta do corpo anda a par e passo com o desenvolvimento da personalidade. Para as adolescentes reinventar a relação com o corpo, a adesão a modas e as experiências mais ou menos excêntricas com a indumentária, e a própria descoberta da sensualidade são exercícios importantes para a construção da personalidade e oferecem indicadores importantes sobre a qualidade e as fontes de alimentação da auto-estima.

Os pais têm aqui um papel importante a desempenhar:

Uma relação cúmplice, marcada pela atitude aberta, de respeito e de diálogo, é fundamental. Castrar ou proibir poderá surtir o efeito oposto ao desejável. Assim, prefira tomar ativa parte nesta redescoberta sugerindo sem impor, participando ativamente na ida às compras, balizando, isto é, explicando os limites do que é aceitável ou não em cada situação.

Tenha em mente que a própria adolescente está num processo experimental e de descoberta, apoiado por si e pelo grupo de pares e pela crescente maturidade cujos limites também se estão a definir, experimentá-los e testá-los faz parte do crescimento.

Helena Almeida

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – área infanto-juvenil da Oficina de Psicologia

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